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Exportações aumentam 76% no Pará

Notícias Gerais

23/06/2008


SIMONE ROMERODa Redação
As exportações paraenses no mês de maio atingiram a casa de US$ 1 bilhão, um crescimento de cerca de 76% em relação ao mês de abril, quando as vendas externas somaram US$ 583 milhões. O setor mineral foi, mais uma vez, o responsável pelo aumento. A análise dos cinco primeiros meses do ano revela o que pode ser uma boa notícia para o setor exportador: algumas commodities tradicionais da pauta de exportações paraenses estão atingindo preços melhores no mercado internacional. O aumento das cotações estimula o mercado, compensando a desvalorização do dólar frente ao real. Um bom exemplo disso é o dendê, cujas exportações cresceram 93,99% entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os produtos chamados não-tradicionais, como o boi em pé, a carne bovina e a soja, também crescem em participação na pauta paraense em 2008.
O valor exportado de dendê passou de US$ 813 milhões, acumulados nos primeiros cinco meses de 2007, para R$1,5 bilhão entre janeiro e maio deste ano. O aumento das vendas externas é um alento para a indústria exportadora local, que, nos últimos dois anos, amargou momentos díficeis. Sem espaço no mercado internacional, boa parte da produção vinha sendo canalizada para o mercado interno brasileiro. O novo ímpeto exportador veio acompanhado de um aumento da cotação do produto. O preço médio da tonelada cresceu de US$ 869,81 por tonelada para US$ 1.274,37 a tonelada, o que representa um reajuste de 46,51%.
Além do dendê, três outros produtos tradicionais também apresentaram crescimento destacado nos primeiros cinco meses de 2008: a pasta química de madeira (celulose), com aumento de 64,54% nas exportações, os sucos de frutas, cujas exportações cresceram 56,25% na comparação com os primeiros cinco meses do ano passado, e a pimenta, que apresentou incremento de 31,27% nas vendas externas.
No caso da pasta química de madeira, a cotação internacional variou 17,38%, passando de US$ 552,79 para US$ 648,84 a tonelada. O preço da pimenta aumentou 33,25%, saltando de US$2.600,69 para US$ 3.465,30 por tonelada. Essa variação positiva foi a principal responsável pelo bom desempenho das exportações de pimenta, uma vez que a quantidade de toneladas exportadas diminuiu 1,48% na comparação entre janeiro e maio de 2007 e 2008. Com relação aos sucos de frutas, o preço médio foi reajustado em 17,79%, passando de US$ 1.969,16 para US$ 2.319,55 a tonelada.
No segmento dos produtos não-tradicionais, os bovinos vivos puxaram as exportações com um crescimento de 337,07%. As vendas externas de carne bovina aumentaram 22,56% e as de soja 61,20%. Mais uma vez, o preço foi determinante para o salto. O valor de venda dos bovinos vivos aumentou 109,35% (de US$ 786,91 a tonelada para US$ 1.647,43). O preço da tonelada de carne bovina exportada também subiu de US$ 1.924,86 para US$ 3.157,75, um aumento de 64.05%. No caso da soja, o preço de venda por tonelada aumentou 67,33%, passando de US$ 268,59 para US$ 449,44, e foi determinante para o crescimento das exportações do produto, uma vez que a quantidade exportada apresentou queda de 3,67%.

CMBIO

O gerente do Centro Internacional de Negócios, da Federação das Indústrias do Pará, Raul Tavares explica que o câmbio têm sido uma das principais barreiras ao crescimento das exportações. Assim, as cotações das commodities estão na base da expansão ou retração dos segmentos exportadores. `Infelizmente, o Pará ainda é um exportador de commodities. Ainda não conseguimos avançar o suficiente na exportação de produtos elaborados. Assim, as vendas externas ficam ao sabor dos preços internacionais`, afirma o economista.
Como exportador de commoditties, alguns setores econômicos do Pará vêm, de certa forma, sendo beneficiadas pelos elementos responsáveis pela grande onda inflacionária mundial. A inflação, que preocupa todos os países, têm duas origens principais: a alta dos preços dos alimentos e do preço do petróleo. No caso dos alimentos, os preços estão subindo porque as economias internacionais vivem um momento de crescimento. Mais renda significa mais consumo e a produção mundial não têm conseguido acompanhar a demanda.
O setor de carne e boi vivo, por exemplo, é dos beneficiados pela crise internacional. Países emergentes estão consumindo cada vez mais proteína. É caso da China, onde o consumo de carne aumentou de 20 quilos per capita nos anos 80 para 50 quilos per capita atualmente. A produção paraense acaba por ser canalizada para esses países onde, lembra Raul Tavares, as barreiras não-tarifárias são menores. O boi vivo tem mercado cativo no Líbano e, agora, na Venezuela, para onde as exportações crescem significativamente. A carne congelada ganha espaço em Israel, Egito, Líbia, Hong Kong, Arábia Saudita, Angola, Vietnã, Jordânia e, imaginem, até no Cazaquistão.

O Liberal – PA


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