Exportação de ferro e para China explode e garante recorde até junho
04/07/2011
Exportação de ferro e para China explode e garante recorde até junho?Primarização? da pauta exportadora brasileira avança no semestre, empurrada pela alta de mais de 90% nas vendas de minério de ferro e pelo dólar barato, que atrapalhou embarques de produtos industriais. Volume de exportações supera nível pré-crise de 2008 e bate recorde: US$ 118 bilhões. Resultado também foi favorecido pelas compras da China, que subem 47% e sào o dobro das aquisições de outros parceiros importantes do Brasil, como EUA e Argentina.;
BRASÍLIA ? Com as exportações de produtos básicos, especialmente minério de ferro, e para a China crescendo em ritmo explosivo, as vendas brasileiras ao exterior, no primeiro semestre, superaram o patamar anterior à crise financeira mundial de 2008 e atingiram o nível histórico de 118 bilhões de dólares. No primeiro semestre de 2010, as vendas foram de 89 bilhões de dólares. No ano anterior, de 90 bilhões.
;O preço barato da moeda norte-americana continua estimulando as importações, que também bateram recorde em seis meses, totalizando 105 bilhões de dólares. E prejudicando as vendas industriais que, embora crescentes, perderam espaço na pauta exportadora.
Saldo final: em 2011, o país acumula 13 bilhões de dólares de lucro no comércio internacional. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (01/07) pelo ministério do Desenvolvimento.
;O minério de ferro foi, de longe, o produto mais exportado pelo Brasil. De janeiro a junho, foram 18 bilhões de dólares, crescimento superior a 90% em relação ao mesmo período do ano passado. Sua participação na pauta exportadora deu um salto de 50%, passando de 10% para 15%.
;A segunda mercadoria mais vendida, o petróleo do tipo ?bruto?, sem nenhum refinamento ou industrialização, rendeu ao país 10 bilhões de dólares, 25% a mais do que em 2010.
;Os chamados produtos básicos (alimentos, petróleo, minério), no geral, avançaram na pauta exportadora. Representavam 43% no fim de junho do ano passado, e agora chegaram a 47%, num total de 56 bilhões de dólares, alta de 44%.
;As exportações de artigos manufaturados, de maior valor agregado, subiram menos da metade (19%) e alcançaram 43 bilhões de dólares, o que fez sua fatia na pauta encolher de 40% para 36%. As exportações totais de 118 bilhões de dólares foram complemendas por mercadoria ?semi-manufaturadas?, como celulose e açúcar.
;Na última terça-feira (28/07), durante audiência pública no Senado, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, classificou a atual pauta exportadora brasileira como sendo ?de baixa qualidade?, devido ao peso das chamadas commodities.
;São elas, no entanto, que têm ajudado o país a reduzir o prejuízo com o exterior, diante da enorme remessa de lucros por multinacionais e especuladores e dos gastos dos brasileiros com viagens e compras internacionais.
;De janeiro a maio, por exemplo, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central na última segunda-feira (27/06), o país acumulou prejuízo acima de 22 bilhões de dólares nas transações com o exterior.
;Destino das exportações
O destino mais procurado pelos produtos brasileiros continua sendo a China, país que mais cresce no mundo. As exportações para lá subiram 47% no primeiro semestre e atingiram 20 bilhões de dólares, o dobro das vendas para Argentina e Estados Unidos, outros dois parceiros individuais importantes do país.
;O comércio com a China garantiu mais de 5 bilhões de lucro ao Brasil, que importou de lá 14,7 bilhões. Esse ganho é quase o dobro do verificado em 2010. O mesmo aconteceu no comércio com a Argentina, que rendeu ganhos duas vezes maiores (2,4 bilhões). Já Com os Estados Unidos, o prejuízo cresceu de 3 bilhões para 4 bilhões.
;No caso das importações, a balança comercial não experimentou grandes variações. As compras de máquinas e equipamentos, que ajudam a modernizar a economia, e de matérias-primas, tudo facilitado pelo dólar barato, subiram e seguem respondendo por dois terços da pauta. Mas a importação de bens de consumo, especialmente carros, e de combustíveis cresceu um pouco mais e ampliou de leve o espaço na pauta.
;No relatório trimestral de inflação divulgado na última quarta-feira (29/06), o Banco Central disse claramente que conta com as importações para controlar a inflação.
Correio do Brasil