NOTÍCIAS

Eximbank deverá financiar US$ 1,5 bi

Notícias Gerais

15/01/2010


O Export-Import Bank of China (Eximbank China) deverá financiar projetos de empresas chinesas no Brasil, e o Ceará espera ter uma fatia de cerca de 15% desses recursos. A estimativa é de que o Estado receba investimentos que somem US$ 1,5 bilhão em áreas distintas, como portuária, mineração, infraestrutura, entre outros. O governo estadual já esteve reunido com a presidência do banco e garante a potencialidade dos aportes.”O Ceará hoje tem um ´desk´, uma carteira no Eximbank, ou seja, não é um nome desconhecido no Eximbank chinês. Não tem ainda uma definição de qual é o fim desses recursos, mas temos alguns projetos em andamento, na área de mineração certamente, na siderúrgica, certamente, na área portuária”, adianta o presidente da Adece, Antonio Balhmann. Ele explica que essa parceria é fruto do trabalho do presidente Lula no seminário China-Brasil, ocorrido em 2009, no qual o governo cearense também esteve.As possibilidades de investimento foram discutidas ontem com o embaixador da China no Brasil, Qui Xiaoqi. “Vim para uma visita oficial, convidado pelo governador, com o objetivo de estreitar um pouco mais as relações que existem já em muitas áreas entre China e Ceará, como econômica, comercial, na construção de infraestruturas e no desenvolvimento de muitos projetos. Acabo de ter um encontro muito amistoso e confirmamos mais uma vez mais que ambas as partes têm grande interesse em estreitar a cooperação. Todos pensamos que muitas possibilidades existem”.O governador em exercício, Francisco Pinheiro, afirma que o governo estuda mais uma visita ao país asiático em breve para fechar alguns contratos com empresas. “Eles prospectaram quais as possibilidades de empresas chinesas virem ao Ceará, principalmente na área de infraestrutura, de agricultura, e nós expusemos sobre as nossas ações na China”, disse.Entre os investimentos, Pinheiro destaca a possibilidade de serem fechados contratos com empresas na área de fármacos, para instalação de laboratórios no Estado. Além desta, há projetos para fábricas ligadas à energia solar, que forneceriam os painéis fotovoltaicos. Tauá, município dos Inhamuns, abrigará a primaria usina solar comercial do País, e deverá ser cliente dessa nova fábrica.Outro potencial investimento chinês no Ceará é na siderurgia. “A siderúrgica é uma planta industrial na qual uma grande parte das máquinas deve vir da China. Cada vez essa interação comercial se aproxima mais”, destaca o presidente da Adece.Energia nuclearApesar de o foco do governo do Estado ser as energias solar e eólica, por considerá-las as grandes fontes do Ceará, há também o interesse por outras, de origem alternativa, como a nuclear. “Todas as outras alternativas a gente tem interesse, porque precisamos contar com outras tecnologias para obter o propósito e o objetivo do governo, que é ser autossuficiente em geração de energia elétrica. A energia nuclear é um investimento importante e muito grande que não podemos desprezar e que exige uma grande qualificação de mão-de-obra”, afirma Balhmann. (SS)EM PARCERIALavoura e piscicultura na miraChina deve investir em laboratórios de melhoria da produção estadual e na pesca em águas ainda não exploradas no CearáA agricultura e a piscicultura também devem receber investimentos chineses. De acordo com o presidente da Adece, há a possibilidade de instalação de laboratórios de melhoramento da produção de produtos cearenses, como mamona e algodão. Já em relação à piscicultura, uma parceria pode dar início à pesca em águas ainda não exploradas no Estado.”Já houve cientistas e empresários chineses que visitaram o Ceará, e nós visitamos laboratórios chineses de biotecnologia no sentido de a gente avançar na solução de alguns problemas típicos nossos. Em relação ao algodão, a China venceu isso. Tem variedades de grande produtividade. A mamona precisa resolver a questão hoje crucial que é relação produtividade e baixa toxicidade, para que o programa de biodiesel se transforme realmente em beneficio das famílias de baixa renda, dos assentamentos e de outras regiões rurais menos desenvolvidas”, esclarece Balhmann.ArticulaçãoNeste sentido, o presidente da Adece aponta que já há uma articulação de cooperação de empresas chinesas. “O embaixador coloca à disposição a empresa correspondente à Embrapa da China”, diz. Essa cooperação, afirma, seria não somente para desenvolver um plantio de mamona mais eficiente, mas também para trabalhar em outra área considerada estratégica para o Estado, e que deverá ganhar maior atenção do governo este ano: a piscicultura.A intenção é trabalhar tanto a pesca marítima, de profundidade, como aquela feita em água continental, segundo observa.”Isso certamente é o grande gerador de emprego na China, o grande gerador em países pesqueiros no mundo, e o Brasil não pode ficar fora disso. E o Ceará é um importante Estado com essa vocação econômica”.Para que essa pesca seja trabalhada em maior escala, Balhmann informa que um convênio está sendo trabalhado com a China para a vinda de um barco de arrasto.”É um termo técnico, mas significa dizer que são barcos que vão capturar pescado que hoje a gente não acessa ainda. E nós estamos fechando esse convênio pra ter o primeiro barco, depois o segundo no próximo ano”, assinala.

Diário do Nordeste


Compartilhe:

Assine nossa newsletter e fique por dentro das últimas notícias do setor INSCREVER