Eurofer contesta reajuste do minério
01/04/2010
Entra hoje em vigor o novo sistema de preços, com reajustes trimestrais, para o minério de ferro. Apesar de já ter sido discutida e negociada pelas mineradoras empresa por empresa, o novo sistema está causando barulho e resistências das siderúrgicas, principalmente das usinas de aço da Europa e das montadoras locais.
As usinas do Velho Continente, via Eurofer, protocolaram ontem a solicitação de investigação dos órgãos de concorrência da União Europeia contra as três grandes mineradoras BHP Billiton, Vale e Rio Tinto, alegando que a alta de preço do minério pode prejudicar a recuperação econômica da Europa. Na queixa, as siderúrgicas alegam que as três gigantes do minério, detentoras de 70% dos negócios no mercado transoceânico, têm o domínio das vendas e por isso estariam operando em oligopólio.
Paulo Camillo, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que acompanha o caso, disse ao Valor que dependendo do desdobramento do processo nos órgãos antitruste da União Europeia, o governo brasileiro poderá acionar sua representação em Bruxelas para defender as empresas brasileiras de mineração.
Também as montadoras, por meio de sua entidade Acea, solicitaram à UE que tome uma atitude depois que os produtores de minério deram passos para elevar os preços em mais de 80% este ano, conforme divulgou o “Financial Times”. A Acea representa não só as montadoras locais, mas as grandes indústrias de carro e caminhões dos EUA e Japão instaladas no continente. A entidade reclamou que os três grandes produtores de minério “têm um significativo poder de preço como se agissem como um oligopólio”. Para o setor, “essa excessiva e impraticável política de preços pode afetar a competitividade da indústria automotiva”.
A entidade destacou que os preços globais do aço já subiram cerca de um terço depois que a mineradora brasileira Vale, a sul africana Anglo American e a australiana BHP Billiton firmaram acordo esta semana com usinas chinesas e japoneses pondo fim ao sistema de benchmark de contratos anuais com preços reajustados em mesa de negociação entre as produtores e consumidores de minério.
Segundo Penna, “o Brasil não quer subsidiar o preço do seu minério para que a Europa se recupere da crise”. Ele contesta a acusação de oligopólio, destacando que o que está havendo neste momento é discussão caso a caso com as usinas de aço. “Há um propósito de tentar tumultuar uma negociação que caminha muito bem com China, Japão e Coreia e que vai tornar inevitável o reajuste do minério” .
Fontes da mineração, porém, reconhecem que há resistência das siderúrgicas europeias à nova sistemática, mas acreditam que tudo vai acabar se acomodando porque a oferta hoje é menor do que a procura. Uma pessoa que acompanha as negociações diz que as usinas estão numa posição fraca, pois no ano passado elas “furaram os volumes contratados com as mineradoras” em função da crise. “A posição delas se enfraqueceu com isso.
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Valor Econômico