Estudo aponta caminhos para ampliar produção mineral e impacto econômico do setor
19/08/2026
Proposta da Vale, elaborada com a Accenture, reúne 15 iniciativas e projeta até R$ 1,3 trilhão em arrecadação e 5,3 milhões de empregos até 2035.
A Vale apresentou nesta terça-feira (18/8), em Brasília, o estudo “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, desenvolvido com consultoria da Accenture. O documento propõe medidas para ampliar a competitividade da mineração brasileira, atrair investimentos e criar condições para novos projetos no período de 2026 a 2035. A proposta será encaminhada aos candidatos à Presidência da República e aos respectivos partidos.
O estudo foi apresentado durante o fórum de mesmo nome, que contou com a participação do diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, e do presidente da Accenture para Brasil e América Latina, Rodolfo Eschenbach. O encontro reuniu representantes do governo, empresas e especialistas para discutir os obstáculos e as oportunidades para a expansão da atividade mineral no país. O secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Anderson Barreto Arruda, representou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
A proposta reúne 15 iniciativas distribuídas em quatro frentes. A primeira trata de licenciamento e fundamentos da mineração, com medidas relacionadas ao conhecimento geológico, à gestão de títulos minerários e à previsibilidade dos processos. As demais abrangem integração da cadeia mineral, com infraestrutura, energia, processamento e tecnologia; ambiente de negócios e segurança institucional, com questões regulatórias, financeiras e tributárias; e valor compartilhado, voltado à geração de benefícios sociais e ambientais nos territórios onde a mineração está presente.

Entre as projeções, o levantamento estima que a arrecadação fiscal associada ao setor mineral possa alcançar R$ 1,3 trilhão entre 2026 e 2035, ante cerca de R$ 750 bilhões na década anterior. A produção mineral anual, estimada atualmente em R$ 300 bilhões, poderia atingir R$ 535 bilhões em 2035. O número de empregos diretos, indiretos e induzidos vinculados à cadeia também poderia passar de aproximadamente 3 milhões para 5,3 milhões no mesmo período.
O documento chama atenção ainda para limitações que restringem o aproveitamento do potencial mineral brasileiro. Apenas 28% do território nacional possui mapeamento geológico, enquanto o país perdeu posições entre os principais produtores mundiais. Entre 2014 e 2023, o Brasil caiu da quarta para a sétima colocação no ranking global de produção mineral. Nesse intervalo, a atividade mineral brasileira cresceu 9%, abaixo dos avanços registrados por países como Canadá, com 56%, e Índia, com 50%.
A proposta relaciona a retomada da competitividade ao aproveitamento conjunto de minerais estratégicos para a economia nacional, como o minério de ferro, e de minerais críticos associados à transição energética, entre eles cobre e lítio. Segundo o estudo, minerais produzidos no Brasil e utilizados em veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas também podem contribuir para evitar entre 1,6 e 2 gigatoneladas de CO₂ equivalente por ano no mundo até 2050, ampliando a importância da mineração brasileira na transição para uma economia de baixo carbono.
*Com informações do Radar Mineração