Estado pode ter reservas de 4 milhões de toneladas
29/07/2011
Jazidas já despertam interesse.
A necessidade de ampliar a oferta de terras-raras, em meio ao temor de que a China reduza a oferta destes minerais, poderá transformar as regiões Sul, Alto Paranaíba e Triângulo em uma nova fronteira minerária do Estado. Estima-se que as reservas sejam de aproximadamente 4 milhões de toneladas, que já atraem o interesse de empresas, inclusive estrangeiras, que pretendem pesquisar as áreas.
As terras-raras são 17 elementos químicos parecidos, que geralmente ocorrem juntos na natureza. Estes minerais são insumos para a produção de equipamentos eletrônicos, superímãs, fertilizantes e combustíveis, entre outros. A China é o principal produtor do planeta e responde por 96% do mercado mundial, que movimenta aproximadamente US$ 5 bilhões por ano.
O país asiático pretende impor regras mais severas às mineradoras e deverá estabelecer cotas de exportação de terras-raras. Caso o governo de Pequim avance na proposta, poderá haver redução na oferta mundial do mineral, o que demandará a busca por novas jazidas para a exploração. Estima-se que o consumo mundial seja de 120 mil toneladas/ano.
Segundo o subsecretário de Política Mineral e Energética da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), Paulo Sérgio Ribeiro, o levantamento aerogeofísico feito no Estado apontou potencial de terras-raras nestas regiões e muitas empresas demonstraram interesse na exploração. Mas, conforme ele, o processo ainda está em fase inicial. “A procura começou no final do ano passado”, explica Ribeiro.
De acordo com ele, o interesse também é impulsionado pelos altos valores de negociação das terras-raras. A tonelada do insumo é comercializada por aproximadamente US$ 150 mil no mercado internacional.
Vale – Entre as empresas que já demonstraram interesse está a Vale S/A. As pesquisas estão em andamento em Araxá (Alto Paranaíba), além de Uberlândia e Uberaba, ambas as cidades no Triângulo Mineiro.
Em entrevista recente, o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, confirmou que deverá entrar no segmento de terras-raras, uma vez que ele é um mercado estratégico para a empresa. Por isso, o executivo ordenou que os estudos, que também são feitos em Goiás, fossem acelerados.
Conforme o coordenador do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Ronaldo dos Santos, estima-se que o Brasil possua grandes reservas de terras-raras. Além de Minas Gerais, há indícios de concentração destes minerais em Goiás, na região Amazônica e em estados do Nordeste do país.
De acordo com Santos, entre os municípios mineiros que podem ter jazidas significativas está Araxá, onde levantamentos iniciais apontam para uma reserva de 1,5 milhão de toneladas.
Já em Tapira e Salitre, no Triângulo, ainda segundo Santos, o volume potencial está estimado entre 800 mil toneladas e 900 mil toneladas. Além disso, em São Gonçalo do Sapucaí (Sul de Minas) existem cerca de 50 milhões de toneladas de minério que podem conter os elementos químicos.
Poços de Caldas, também no Sul do Estado, possui reservas claculdas em 300 mil toneladas. Mas, de acordo com o coordenador do Cetem, o temor de impactos ambientais, em virtude da presença de tório, que é um elemento radioativo, ainda impede a exploração.
Mas este cenário poderá mudar em alguns anos. Segundo Santos, alguns países – como a China – realizam estudos para utilizar o tório nas novas usinas nucleares, o que criará mercado para o resíduo da exploração de terras-raras.
Diário do Comércio