Especial: viabilidade de reserva de fósforo em MT requer estudos
10/11/2009
Além do governo federal, os produtores rurais de Mato Grosso mantêm a esperança de viabilizar a exploração de fósforo, um dos nutrientes utilizados na fabricação de fertilizantes, nas reservas situadas na região de Planalto da Serra (256 km ao sul de Cuiabá).
As jazidas da cidade e de municípios vizinhos foram descobertas há quatro anos, por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso, mas os resultados preliminares obtidos nas prospecções não asseguram a viabilidade econômica para exploração do minério.
A descoberta das jazidas gerou grande expectativa na região. Para frustração das autoridades e do comércio local, a chegada das grandes mineradoras, como a Anglo American, não passou de especulação. Na prática, no setor privado apenas os produtores de Mato Grosso levaram adiante a empreitada. Em dezembro de 2008, eles criaram a Cooperativa dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso para dispor de recursos para financiar as prospecções.
?Já investimos R$ 3 milhões. Até o final deste ano teremos alguma resposta para decidir se continuamos ou suspendemos as pesquisas?, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira. As prospecções feitas numa área de 50 mil hectares detectaram concentrações de fósforo, mas ainda não há dados sobre o teor do minério.
?Já encontramos, a questão é a concentração, o volume adequado que permita exploração. A partir de 2% já seria viável?, diz Silveira. ?A esperança a gente tem, senão não estaríamos gastando tanto dinheiro.? A ideia dos produtores é fazer um consórcio entre cooperativas, e mesmo outras empresas, para viabilizar a extração do fósforo e a produção do fosfato, que iria baratear o custo do fertilizante utilizado nas lavouras.
A pesquisadora Maisa Bastos Abram, que coordena o Projeto Fosfato, implantado no final do ano passado pelo Serviço Geológico do Brasil, conhece a região de Planalto da Serra e diz que ?o potencial é grande do ponto de vista geológico, os ambientes são propícios para exploração, mas existe um longo caminho até se chegar à viabilidade econômica?.
Segundo ela, os primeiros estudos mostram que as reservas são promissoras, mas de pequena dimensão. ?Será preciso realizar cortes mais profundos para ter uma melhor dimensão das jazidas?, diz. Em Mato Grosso, além dos trabalhos de campo também existem levantamentos aerogeofísicos. A primeira fase do mapeamento aéreo foi realizada na região de Planalto da Serra. Agora os aviões estão mapeando uma área que abrange a região oeste do Estado, em direção à fronteira com a Bolívia.
?Os aviões voam a uma altitude de 100 metros e mapeiam linhas com 500 metros de largura?, relata o superintendente de Minas da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Joaquim Moreno. As pesquisas em Mato Grosso são as mais adiantadas do Projeto Fosfato Brasil. O trabalho também está sendo realizado no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
Na próxima etapa serão incluídos Ceará, Roraima, Pará e Tocantins. Maisa diz que maioria das pesquisas ainda está na fase inicial e os primeiros resultados concretos só serão conhecidos em meados do próximo ano. As reservas de fósforo exploradas hoje são estimadas em 2 bilhões de toneladas e a disponibilidade de fósforo atende à metade da produção nacional de fosfato.
Agência Estado / Brasil Infomine