Empresas vão explorar potássio no fundo do mar
13/08/2009
O Brasil pode se tornar pioneiro na exploração de reservas submarinas de potássio. Segundo o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), duas empresas já requisitaram licença para a atividade, que é encarada pelo governo como prioritária devido à necessidade de reduzir as importações de matérias-primas para a fabricação de fertilizantes. A meta é atingir a autossuficiência no setor em um prazo de dez anos.As companhias Itafós Fertilizantes, do Brasil, e Atacama Minerals, do Canadá, foram as primeiras a solicitar licença para a exploração de potássio no mar. O mineral pode ser encontrado em depósitos de sal no subsolo, como os encontrados na região do pré-sal. “É o mesmo sal do pré-sal. Só precisamos ver se é feito de cloreto de sódio ou de potássio”, diz o diretor administrativo da Itafós, Carlos Braga. Segundo ele, a ideia é estudar o uso da tecnologia desenvolvida para a exploração de petróleo na busca por potássio no subsolo. A empresa ainda não tem estimativas sobre custo do investimento, alegando estar em fase preliminar de estudos. O diretor-geral adjunto do DNPM, João César de Freitas Pinheiro, explica que os reservatórios de sal em questão são menos profundos do que os do pré-sal, o que torna a exploração mais barata.Ainda aguardando a autorização do DNPM, a Itafós não decidiu por onde iniciará a pesquisa. A companhia opera hoje uma mina de fosfato – também usado na produção de fertilizantes – em Tocantins. Já a canadense Atacama recebeu em maio uma autorização para pesquisa em uma área de 1,4 mil quilômetros quadrados ao sul de Salvador, onde prepara-se para iniciar uma campanha de perfuração de poços. Pinheiro diz que a companhia também requereu autorização para exploração de reservas submarinas de potássio, atividade ainda inédita no mundo. “O Brasil tem um potencial geológico fantástico. Não tenho dúvida de que atingiremos a autosuficiência (em matérias-primas para fertilizantes) em até dez anos”, afirma.importação. O País importa atualmente 90% de seu consumo de minerais usados para a produção de fertilizante – a produção interna é de 400 mil toneladas por ano, para um consumo anual de 4,2 milhões de toneladas. O tema está na pauta do governo, que quer garantir maior segurança no suprimento do insumo, fundamental para o desenvolvimento da agroindústria.
Jornal do Commercio Brasil – RJ