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Empresas buscam alunos de cursos e faculdades atrás de qualificação

Notícias Gerais

17/02/2011


Eles estão sendo recrutados logo nos primeiros dias de aula, devido à falta de profissionais qualificados no mercado de trabalho.
São Paulo, a maior cidade do Brasil, foi a que mais gerou vagas de trabalho com carteira assinada em 2010. Fomos até o maior centro de oferta de empregos do país. ?Nos anos anteriores, nós tínhamos 10 mil, 12 mil vagas. Hoje, nós trabalhamos com 18 mil vagas abertas?, revela a gerente de atendimento Izilda Leal Borges.
Acompanhamos o caso de Davidson e Milton.
Milton Rodrigues da Silva acaba de ficar desempregado. Tem 45 anos e experiência em logística, gerenciamento de transporte, distribuição e armazenamento de produtos. ?Eu tenho proposta já para daqui a um mês ou dois. A empresa está abrindo filiais e já me falou que quer contar com meu trabalho, só que eu não quero esperar?, conta.
Davidson, com 18 anos, nunca teve a carteira assinada. ?O que vier eu estou querendo?, afirma.
Escolaridade faz a diferença na hora de conseguir o emprego. Para se ter uma ideia, entre todas as vagas oferecidas no centro, 65% são para quem chegou pelo menos até o nível médio. Para quem não concluiu o Ensino Fundamental, restam apenas 12% das vagas. É como se de toda fileira de guichês, apenas dois estivessem reservados a quem não concluiu o Ensino Fundamental. Mesmo assim, nesses casos, normalmente é exigida experiência.
O jovem Davidson não tem experiência e parou de estudar na sexta série do Ensino Fundamental. ?Hoje, infelizmente, eu não vou ter nenhuma vaga para te oferecer?, informa a atendente para o jovem. ?Vou voltar a estudar e fazer o supletivo?, revela Davidson.
Milton, além da carteira recheada de experiência, está cursando faculdade. Havia três ofertas de emprego para ele, mas Milton preferiu procurar mais. ?Eu tenho certeza de que é questão de tempo, pouco tempo?, aposta.
?Para o sucesso de alguém na vida, no Brasil, na Suécia, na Coreia, na China, por trás do sucesso de alguém, está a escolaridade. O Brasil tem 32 milhões de pessoas que estudam no Ensino Fundamental e cerca de 8 milhões no Ensino Médio. Mas nós formamos apenas 2,1 milhões no Ensino Médio. Esse número é muito pequeno para o nível de qualificação que está sendo demandado em todo o Brasil?, declara o diretor de educação Associação Brasileira de Recursos Humanos, Luís Edmundo Prestes.
Não adianta só ter um diploma. As empresas querem profissionais com experiência. Por isso, o primeiro emprego é um grande desafio, tanto para quem quer ser contratado quanto para quem contrata. Entre tantos formandos todos os anos em cursos técnicos e faculdades, o que faz com que alguns consigam entrar no mercado de trabalho, na área que desejam, e outros?
?Na região onde que eu moro, em Congonhas, gera muito emprego na mineração. E mineração, com certeza, tem bastante equipamento para manutenção?, diz o estudante Henri Soza Almeida.
Eles prestaram atenção no mercado de trabalho ao escolher um curso técnico. Com diploma na mão, foram à luta. ?Fui em empresas, procurei, mandei currículo, para as empresas?, revela o estudante Rafael Aleixo.
Uma empresa abriu 52 vagas – a maioria para o primeiro emprego. ?Todo mundo está crescendo. Então, todo mundo busca profissional. Vira, de certa forma, um leilão do profissional, que é profissional mesmo. Então, se você não abrir esse tipo de trabalho, você dificilmente vai conseguir atender a sua demanda em um curto espaço de tempo?, destaca o gerente de mineração Cícero de Oliveira Campos.
A formatura em engenharia mecânica, no ano passado, não deu ao engenheiro Marcos Vinícius Batista exatamente o que ele queria, mas garantiu a vaga de técnico, líder de equipe, com qualificação para crescer profissionalmente. ?Hoje, eu pretendo ser um engenheiro e vou conseguir ainda. Eu batalho para isso?, afirma.

Site Jornal Nacional


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