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Em busca do título mundial

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22/08/2008


O ano passado poderia ficar marcado na história da Vale como aquele em que deixou para trás o nome de batismo Companhia Vale do Rio Doce, adotando apenas um, Vale, bem mais simples e que reforça a crescente presença global. Um fato marcante. Mas não foi só. Em 2007, por mais uma vez, voltou a bater recorde, fechando com lucro de R$ 20,006 bilhões, 48,95% superior ao registrado em 2006. A receita bruta atingiu R$ 66,385 bilhões, em 2007, o que corresponde a um aumento de 42% frente a 2006. A geração de caixa medida pelo Ebitda cresceu 47,71%, chegando a R$ 33,619 bilhões. No balanço, a companhia explicou que o bom desempenho se deveu ao aumento de 45,9% do lucro operacional, motivado pela consolidação da canadense Inco, comprada no final de 2006. Nascida Companhia Vale do Rio Doce no interior mineiro, em 1942, tinha o foco principalmente para o minério de ferro. Ganhou mercado não só no Brasil, como no exterior. Os trilhos da ferrovia e os portos próprios ajudaram a trazer o desenvolvimento e os anos de estatal garantiram solidez e clientes cativos. No entanto, amarras que dificultavam novos desafios. Privatizada em 1997, a Vale é hoje cidadã do mundo. Com atuação nos cinco continentes, tem cerca de 100 mil empregados, entre próprios e terceirizados. A capitalização de mercado chega a US$ 150 bilhões e os novos negócios são tantos que é preciso sempre atualizar os dados periodicamente. O maior projeto em curso está na Nova Caledônia, na Oceania, envolvendo investimentos de US$ 3,2 bilhões, transformando o grupo na maior operadora de níquel do mundo. Quem imagina já ter visto de tudo, engana-se. Em se tratando de Vale, parece não haver limites. Recentemente, em julho, o diretor-presidente da Vale, Roger Agnelli, no lançamento das ações da mineradora diversif cada na Bolsa de Paris, revelou: ?Queremos ser a maior mineradora do mundo.? Hoje, é considerada a segunda, mas disputa esta posição entre gigantes internacionais BHP Biliton, Rio Tinto, Anglo American e Xstrata. Mas especula-se no mercado que a empresa ? depois de várias aquisições ? pode voltar a comprar. Falava-se na Anglo, na Freeport ou na Xstrata, para qual chegou a ser feita uma oferta sem êxito ? a Vale não se manifesta. Para avançar, estão sendo feitos investimentos. Nos últimos cinco anos, a empresa aplicou US$ 40,7 bilhões, dos quais US$ 20,6 bilhões em aquisições e US$ 20,1 bilhões em manutenção das operações, pesquisa e desenvolvimento e execução de projetos. O objetivo é conquistar e manter o mercado, atendendo com qualidade e de forma integrada, da mina até o consumidor final. Assim é possível chegar aos principais compradores do outro lado do planeta ? China, Japão e Coréia ? com preços competitivos. Apesar do período de silêncio (por conta da captação internacional), Agnelli comentou que a demanda no mercado de commodities continua bem forte, puxada pelos países da Ásia, América Latina e Europa. Na opinião do dirigente da Vale, a crise nos Estados Unidos é uma preocupação no curto prazo, mas não afeta os negócios da companhia. Também em Paris, o diretor de Relações com Investidores da Vale, Roberto Castello Branco, lembrou que o mercado americano quase não tem relevância para a Vale e disse não acreditar em reversão no processo de alta das commodities. ?Quem vai para lugares como a China, Oriente Médio, Índia e Vietnã percebe que não há uma bolha, mas sim demanda real.? (SA) Tudo o que reluz é minério O melhor retrato da pujança do setor de mineração pode ser visto em cidades de pequeno porte que, de alguns anos para cá, vivem um verdadeiro boom a partir da abertura de atividades exploratórias. Em São Gonçalo do Rio Abaixo, por exemplo, a receita do município mineiro cresceu 400% desde que foi aberta a mina de Brucutu, da Vale. Ou a pequena Canaã dos Carajás, no Sul do Pará: todo dia chegam forasteiros em busca de emprego na mina de cobre de Sossego, também da Vale. Se o Brasil já era competitivo nesta área, diante do choque das commodities, viveu em 2007 e novamente em 2008, período parecido com o do Eldorado, da busca por ouro. Só que agora, o que reluz é minério: pode ser de ferro, nióbio, cobre, bauxita e outros. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), estão previstos investimentos até 2012 de US$ 48,2 bilhões, 50% acima do que tinha sido inicialmente traçado. São 180 empresas que atuam no setor, responsáveis por 85% da produção mineral do Brasil. A produção de minério de ferro, por exemplo, deverá duplicar nos próximos quatro anos, saltando de 350 toneladas para 700 toneladas por ano. No caso do níquel, a expectativa é que a produção triplicará e a do cobre mais do que dobrará. Segundo o Ibram a produção mineral brasileira foi de R$ 46 bilhões em 2007, 21% acima da de 2006, com R$ 38 bilhões (exceto produção de petróleo e gás). Minério de ferro foi o destaque, com aumento acima de 12%. Se for levada em conta a Indústria de Transformação Mineral, estes dados podem chegar a R$ 126 bilhões, 9,57% a mais do que o ano anterior. ?O setor vive, no mundo, um de seus melhores momentos e o Brasil, com excelentes reservas, além de muito competitivo, está conseguindo surfar nesta onda?, opina Eduardo Roche, gerente de análise da Modal Asset. A Vale, acredita o especialista, tem um futuro e tanto pela frente. ?O crescimento do setor siderúrgico mundial ainda é muito forte e eles estão conseguindo repassar os aumentos de preços?, diz Roche. Ainda mais por conta da aquisição da Inco, do Canadá, fortíssima concorrente em níquel. Sem falar que ainda há especulações de mercado sobre uma nova aquisição de peso nos próximos meses. O presidente do Ibram, Paulo Camillo Penna, adverte, no entanto, para os gargalos que o setor enfrenta. Como a questão tributária, ambiental e também de infra-estrutura. Estudo do ex-ministro da Fazenda, Paulo Haddad, mostra o efeito multiplicador dos investimentos de mineração na receita de municípios. A arrecadação dispara: foi possível descobrir, por exemplo, caso em que o ISS (Imposto sobre Serviços) saltou de R$ 100 mil para R$ 10 milhões, superando, e muito, a receita com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). (SA)

Conjuntura Econômica


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