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É um erro tributar mais a mineração

Notícias Gerais

09/11/2009


Diretor de mineradora britânica diz que empresas estão fugindo do Brasil pelos impostos do setor
ENTREVISTA Luciano Ramos
O que leva um brasileiro, diretor de operações da London Mining, mineradora que busca novos negócios, a descartar o Brasil? Os elevados impostos, a burocracia e a falta de infraestrutura.Para Luciano Ramos, o governo piora a situação se insistir em aumentar a tributação, como está em debate. Ontem, dia em que a empresa abriu capital em Londres, ele informou que sua produção passará das atuais 400 mil toneladas de minério de ferro para 14 milhões em 2014 e 24 milhões em 2018. E o Brasil está fora dos planos
Henrique Gomes Batista O GLOBO: A London Mining planeja investir no Brasil? LUCIANO RAMOS: O Brasil não está nos planos da London Mining, lamentavelmente. As minas normalmente ficam no interior do país e não temos como levar o produto aos portos. Hoje, as poucas ferrovias operacionais estão nas mãos das grandes empresas, cujo acesso do pequeno e médio minerador é muito, muito difícil e, quando ocorre, é feita de maneira desvantajosa. Grande parte de nossa margem acaba transferida para o operador de logística. Fico muito triste.O Brasil está preparado para receber investimentos no setor? RAMOS: O Brasil está muito mal posicionado. Não é só a questão tributária que pesa, é uma conjuntura.Temos que levar em conta a infraestrutura, a deficiência do governo na aprovação de projetos. O país hoje está em posição bastante desfavorável em relação a países como Chile, Austrália e África do Sul.Ainda há entraves na obtenção de licença ambiental? RAMOS: A gente já lidou muito tempo com licença no Brasil (ele esteve na Vale por 15 anos), e mesmo empresas com elevados padrões ambientais, como a Vale, sempre tiveram problemas.No Brasil, uma licença leva anos.No Chile, meses. Estamos iniciando um projeto de extração de minério de ferro na Groenlândia, que pertence à Dinamarca, e o licenciamento foi simples, bem elaborado, rigoroso, mas rápido. No Brasil não é assim.E como está a carga tributária do setor atualmente? RAMOS: Há um estudo do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), feito pela Ernst & Young, que mostra que estamos mal. Nosso minério de ferro é tributado em 19,60%, incluindo royalties e todos os impostos, contra 15,40% na Austrália. Estes quase cinco pontos percentuais fazem diferença. No potássio, minério que deve sofrer forte elevação de preços no futuro, nossa carga está em 41,60%, contra 18,24% do Canadá. Lideramos a lista dos maiores impostos em cobre e somos vice em carvão mineral e bauxita.O que pode acontecer se o governo elevar os impostos? RAMOS: Uma corrente está tentando aumentar mais a carga tributária, na carona da discussão do pré-sal. Isso é decepcionante.Tira a competitividade do país. Empresas também acabam priorizando outros países.O Brasil poderia arrecadar mais com maior volume de negócios, movimentar a economia. A carga já é alta para a mineração, não há justificativa para elevar os tributos, é um erro.

O Globo


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