Dólar sobe 2,15% e vai a R$ 1,758; Bolsa recua 1,14%
09/12/2009
Endividamento de Grécia e Dubai desanima investidor DA REPORTAGEM LOCAL
O mercado global atravessou mais um dia de incertezas e perdas, dessa vez movido pelo rebaixamento da nota de classificação de risco da Grécia. As Bolsas ficaram no vermelho nos principais centros financeiros. A Bovespa caiu 1,14%.
Para colaborar com a baixa dos pregões, informações de que o conglomerado Dubai World estaria tendo dificuldades na negociação com seus credores afetaram os humores.
A expressiva apreciação do dólar no mercado local dá o tom que imperou nas operações de ontem. A moeda terminou vendida a R$ 1,758, com alta de 2,15%, em seu mais elevado patamar desde outubro. No acumulado deste mês, a moeda norte-americana passou a registrar alta de 0,23%.
Os mercados abriram com a notícia de que a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota concedida à Grécia para um nível que não atingia havia uma década (leia à pág. B11). Preocupações com o endividamento público estão entre os fatores que têm fomentado as incertezas sobre a saúde econômica do país.
A Grécia faz parte da zona do euro. A moeda da região terminou ontem com depreciação de 0,93% diante do dólar.
Outra importante agência de risco, a Moodys, afirmou que a deterioração das finanças públicas nos Estados Unidos e no Reino Unido é um importante teste para seus “ratings” (notas de risco), deixando no ar que não são intocáveis.
O índice acionário Dow Jones encerrou ontem com baixa de 1%, e a Bolsa eletrônica Nasdaq teve queda de 0,76%.
Na Europa, as maiores Bolsas de Valores tiveram perdas: Londres recuou 1,65%, Frankfurt perdeu 1,66%, e Paris, 1,43%. Instituições financeiras europeias têm sido citadas como algumas das prováveis mais prejudicadas com a moratória da Dubai World.
No mercado londrino, papéis do setor bancário estiveram entre as depreciações mais expressivas: Royal Bank of Scotland caiu 7,73%; Barclays recuou 3,21%; HSBC, 2,48%.
“A Grécia acabou por reacender o temor ao risco e abriu espaço para realizações [vendas de ativos para embolsar ganhos acumulados]. Mas não acredito que o mercado entre em uma nova fase ruim. Devemos ter apenas reflexos pontuais, como ocorreu quando surgiu a notícia de Dubai”, diz Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
Por todo o pregão de ontem o que se viu foi o índice Ibovespa no vermelho. Com o cenário externo menos afável, os investidores estrangeiros estiveram entre os que mais venderam ações na Bovespa, segundo operadores. Houve queda em 44 das ações do Ibovespa -que reúne as 62 ações brasileiras mais negociadas.
Papéis de diversos setores apareceram entre os que mais perderam: Souza Cruz ON (-3,87%), Usiminas PNA (-3,21%) e Petrobras ON (-2,70%).
Com as commodities em baixa no exterior, as ações de companhias dos setores de mineração e siderurgia não escaparam da baixa: MMX Mineração ON caiu 2,84%, Gerdau PN recuou 2,04% e Vale PNA terminou o dia com baixa de 1,01%.
Na outra ponta, as altas do pregão de ontem foram puxadas pelos papéis TAM PN (3,89%), Gol PN (3,02%) e Eletrobrás ON (2,81%).
Hoje o Copom encerra sua última reunião de 2009. O mercado projeta que a taxa básica Selic seja mantida em 8,75%.
“Altas virão em 2010, e a Selic deve voltar ao patamar de 10%. Mas creio que as elevações comecem a ocorrer apenas no segundo semestre”, disse Rosa.
(FABRICIO VIEIRA)
Folha de S.Paulo