Direitos minerários à venda: US$ 61 bilhões
01/02/2011
Um negócio que, talvez, nem a calculadora do midas Eike Batista, dono do Grupo EBX, consiga suportar está em oferta na internet. São concessões, de uma mesma empresa, para exploração de jazidas de metais, minério e pedras preciosas encravadas numa das regiões de maior pobreza social do país, no Vale do Jequitinhonha, Norte de Minas.
No site de um escritório de advocacia de São Paulo e em outros três (dois estrangeiros e outro brasileiro – este sem acesso), oferecem um pacote de direitos minerários, naquela região de Minas, com preço total acima de US$ 61 bilhões (sessenta e um bilhões de dólares norte-americanos). O escritório paulistano faz uma apresentação que impressiona: “Localizado na cidade de São Paulo e possuindo escritórios colaboradores nas principais cidades do país e no exterior. Com atuação nas mais diversas especialidades do Direito, compartilhando experiências, seriedade e excelência do seu trabalho, respondendo às demandas de forma integral, desde as instâncias primárias até os Tribunais Superiores, em assuntos corporativos e individuais”.
Os ativos ofertados são jazidas de diamante, ouro, granito (galbro, tipo preto de alta resistência) e de cobre. Esses direitos de lavras cobrem áreas no total de 2.400 hectares com acesso por rodovia e uma pista de pouso asfaltada de 1.400 metros de comprimento. Os ofertantes dos recursos mineiras em questão garantem: “Empresa devidamente regularizada, com registros e documentos atualizados. Dispõe de diversos equipamentos e máquinas apropriadas para este tipo de exploração”.
Preço pode ser “combinado”
O ativo mais caro é a jazida de granito, que teria reserva indicada de 200 milhões m3 e está avaliada em US$ 60 bilhões. Todos os números, para que não haja dúvida, são repetidos por extenso entre parênteses. A referência apresenta o cálculo de US$ 300 o m3. Pela ordem do maior valor, seguem: ouro (70 toneladas a 260 toneladas brutas, por US$ 840 milhões – US$12 o grama), diamante (2,5 milhões m3, com 0,2 quilates por m3, por US$ 115 milhões – US$ 230/k) e cobre (não avaliada, “mas com indício de bom potencial”, por US$ 80 milhões). As jazidas já avaliadas estão com as reservas indicadas, ou seja, apresentam o volume economicamente lavrável.
Diante de elevados valores, os anúncios fazem uma observação até óbvia à forma de pagamento: “a combinar”. Por telefone, o dono do escritório de advocacia, Sidney Dal Poggetto Cunha, confirmou que representa a venda daqueles ativos minerários e os valores anunciados. Disse que as negociações se dão via “carta de intenção”.
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