Dinheiro em fundo de commodity no país dobrará em 2010–Barclays
27/01/2010
Os investimentos em fundos de capital protegido lastreados em commodities no Brasil devem ao menos dobrar em 2010, em relação a 2009, quando esse tipo de aplicação foi lançada no país, de acordo com avaliação do Barclays Capital, líder mundial em negociações de títulos lastreados em matérias-primas. “Um bilhão de reais nessas estruturas de capital protegido para 2010 é uma expectativa razoável”, afirmou nesta quarta-feira a jornalistas André Rizzo, diretor-executivo para Vendas em Mercados Emergentes do Barclays Capital, divisão de investimento do banco. Em 2009, atraíram aproximadamente 460 milhões de reais no Brasil, sendo pouco mais de 300 milhões de reais investidos em operações estruturadas pelo Barclays, que mundialmente negociou no ano passado 7,9 bilhões de dólares em títulos lastreados em commodities, montante que representou 61 por cento desse mercado. No ano passado, a instituição estruturou um swap de créditos de carbono gerido pelo Itaú, permitindo que os clientes acessassem os mercados de carbono por meio da exposição do Barclays, que lançou o primeiro índice global para esse ativo. No final do ano passado, o Banco do Brasil ofereceu um fundo, também em real, lastreado no mercado de petróleo, em outra operação estruturada pelo Barclays. Apesar da expectativa de que os investimentos em tais fundos ao menos dobrem em 2010, diante da boa demanda verificada por ativos lastreados também em outras commodities, como as metálicas e as agrícolas, um outro executivo do Barclays avalia que qualquer previsão pode ficar aquém do que será verificado ao final do ano, considerando a expectativa de um rápido crescimento desse mercado. “A gente pode ser surpreendido por um crescimento muito mais rápido. Qualquer previsão que a gente fizer, provavelmente vamos errar para baixo”, ponderou Rogê Rosolini, diretor-executivo de Estruturação de Mercados Emergentes. De acordo com dados do Barclays, os investimentos no Brasil lastreados em commodities representam muito pouco do que é aplicado em fundos multimercados, atualmente um montante de cerca de 340 bilhões de reais, baseados em sua maioria em juros, câmbio e no Ibovespa. Segundo os executivos, tais fundos de capital protegido –nos quais os investidores abrem mão dos juros ao final da maturação se o investimento não compensar– já atraíram interesse de outras instituições financeiras, e outros ativos do gênero devem ser lançados em 2010 no país, sempre lastreados em commodities cotadas no exterior, mercados vistos como mais líquidos que os da BM&FBovespa. “A gente continua vendo bastante demanda, tem muitos gestores olhando”, acrescentou Rosolini, lembrando que, por meio das operações do tipo estruturadas pelo Barclays no Brasil, o investidor não precisa ir para o exterior para se expor em futuros de commodities, e ainda faz o investimento na moeda local. Os executivos do Barclays lembraram ainda de outras vantagens de se investir em commodities, em um momento em que nações emergentes demandam cada vez mais matérias-primas, ativos que também servem como proteção contra a inflação. Pesquisa do Barclays apontou em 2009 um recorde de investimentos institucionais em commodities, de 60 bilhões de dólares, que deve ser batido em 2010, segundo o mesmo levantamento.
Agência Estado