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Desemprego atinge recorde

Notícias Gerais

21/01/2009


Os efeitos da crise financeira mundial fizeram o ano de 2008 terminar com um recorde negativo para o trabalhador paraense: o Estado perdeu mais de 11 mil empregos com carteira assinada, apenas no mês de dezembro. Isso representou um decréscimo de 2,10% na geração de postos de trabalho. Foi o pior desempenho dos últimos dez anos, com 14.473 admissões contra 25.848 desligamentos. Seguimos os mesmos passos dos Brasil, onde 654 mil postos de trabalho foram perdidos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e foram divulgados ontem, pelo Ministério do Trabalho.
Construção Civil, Agropecuária, Indústria de Transfomação e Comércio foram os grandes vilões.
Os índices de emprego apresentados por esses setores em dezembro foram os que mais pesaram para o desempenho obtido pelo Estado. O setor da construção civil teve saldo negativo de 3.019 postos, resultando num decrescimo de 6,08% em comparação com o mesmo período do ano passado. Seguindo o mesmo caminho, o setor agropecuário teve decréscimo de 4,57%, com 2.014 empregos a menos. A indústria de transformação apresentou variação de -3,05%, com saldo negativo de 2.957 postos. Por fim, o comércio, que, mesmo com o período natalino, admitiu 4.944 e demitiu 6.447, provocando a perda de 1.503 postos de trabalho, um decréscimo de 1,04 em relação à dezembro de 2007.
Ainda segundo os dados do Caged, a região metropolitana de Belém, até agora, sobrevive bem em meio a turbulência, já que registrou 9.509 empregos a mais no mês passado, um crescimento de 3,75%. Por outro lado, o interior do Estado, em especial as cidades com indústrias madeireiras e de ferro-gusa, bastante atingidas pela crise, os reflexos da crise têm causado estragos. Foram 21 municípios com mais de 30 mil habitantes que apresentaram saldo negativo, sendo que em oito a variação negativa está acima dos 10%.
O caso mais grave é o da cidade de Breves, onde 1.598 pessoas foram demitidas e apenas 397 contratadas, gerando um descréscimo de 39.09%. Barcarena, Itupiranga, Paragominas também apresentaram descréscimo muito alto na geração de emprego, de -28,44%, -20,75%, -14,14%, respectivamente.
Todos esses dados são apenas do mês de dezembro. O balanço sobre o comportamento do Emprego Formal no Estado do Pará em todo o ano de 2008, mostra um crescimento de 1,70%, com 272.339 admissões e 236.613, gerando um saldo positivo de 8.726 postos de trabalho. Entretanto, esse resultado é bem inferior ao alcançado em 2007, quando tivemos um crescimento de 5,83%.
Wilton Brito, analista econômico da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), considera os índices negativos registrados no Estado uma consequência, principalmente, das várias quedas sofridas pelo setor madeireiro, que, por ser o segundo mais importante, perdendo apenas para mineração, causou um impacto muito grande na geração de emprego da região. “No meu ponto de vista, o grande problema começou a surgir com um de nossos setores tradicionais mais importantes. Ele foi seriamente prejudicado pela Sema, Secretaria de Meio Ambiente. Muitas empresas não tiveram condições de se adequar ao que estava sendo imposto e, por isso, não conseguiram a liberação ambiental. Com isso houve queda na produção e, consequentemente, várias demissões”, explicou.
A mineração também registrou suas vítimas. “Começou a surgir, ainda, problemas na produção de ferro-gusa. Várias guseiras em Marabá estão praticamente fechadas. Algumas fábricas deram férias coletivas e outras demitiram”, revelou Wilton.
Segundo o analista, os efeitos dessas demissões se espalharam como uma bola de neve e atingiram outros setores da economia. “Na medida que tem menos emprego na indústria, tem menos consumo, com isso o comércio começa e dispensar funcionários. Se tem menos consumo, o governo arrecada menos ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), por isso realiza menos obras públicas, diminuindo o número de empregos nessas construções”, resumiu.
Para Wilton, a cidade de Belém conseguiu respirar aliviada porque o maior indutor de empregos é o setor de serviços, que não fui muito afetado. Além disso, o comércio só não foi mais prejudicado graças ao Natal, que “mascarou” as perdas. Ele acredita, ainda, que com o encerramento dos contratos das indústrias de mineração a situação só deve piorar. “Até agora esse setor, que é o mais importante da nossa economia, não sentiu muito os efeitos da crise, apesar de algumas perdas nas indústrias de ferro-gura. Porém, os contratos de 2009 devem ser assinados agora, no primeiro trimestre e devem vir com uma demanda bem menor, diminuindo a produção e provocando um impacto muito grande na geração de empregos do Estado”, alertou.
Segundo Roberto Sena, economista e supervisor técnico do Dieese, Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconomicos, a situação já vinha chamando atenção das centrais sindicais desde o mês de outubro, quando as primeiras quedas de postos de trabalho começaram a ser registradas. “Isso nada mais é do que uma constatação de que a crise nos atingiu. É um problema sério. Para se ter uma idéia, no último trimestre a perda foi tão grande que conseguiu anular todos os ganhos que tivemos no primeiro semestre do ano passado”, afirmou.
Para Sena, os investimentos que estão sendo realizados nos setores da indústria, comércio e transporte para o Fórum Social Mundial podem ajudar o Estado a dar um pequeno “suspiro”, mas não vão resolver o problema. “Para esse primeiro semestre o cenário vai ser de imensa dificuldade. Por isso, estamos nos reunindo com centrais sindicais, vamos tentar falar com o pessoal da indústria e com a governadora para buscarmos medidas para sairmos dessa crise”, garantiu.
Indústrias do Pará foram atingidas em cheio pela crise econômica
Os setores dependentes das exportações, como a indústria de transformação mineral, são os mais atingidos pelo terremoto no mercado de trabalho. Empresários aguardam esperançosos o anúncio de medidas saneadoras do novo presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, que toma posse do cargo hoje. No Pará, as empresas agregadas no Sindicato das Indústrias de Ferro-gusa do Estado do Pará (Sindiferpa) já demitiram três mil trabalhadores e reduziram de forma brutal a quantidade de contratos, observados com a queda nas vendas de 160 mil toneladas/mês para 37 mil toneladas mensais, número registrado em dezembro passado, conforme o presidente da entidade, Mauro Corrêa.
Mauro Corrêa expõe um cenário desolador para o ramo da siderurgia. Das onze empresas ligadas ao Sindicato, seis estão de portas fechadas, uma em Barcarena e cinco em Marabá, onde se concentra o maior número de siderúrgicas de ferro-gusa do Estado. Ele informa que, conforme foram findando, os contratos não foram sendo renovados pelos importadores.
O movimento negativo começou a ser observado já em outubro. Quando a média mensal de exportação ficava em torno de 150 mil a 160 mil toneladas mensais, no décimo mês de 2008, a crise se apresentou com uma redução no volume de vendas para 103 mil toneladas. No mês seguinte, o resultado foi pior: chegou a 62 mil toneladas, menos da metade do fluxo “normal de vendas”. Já em dezembro, ficou em 37 mil toneladas. “A estimativa para janeiro é pior. Não conseguimos enxergar nada que aponte uma melhora”, comenta Mauro.
Ele diz que a esperança está concentrada no que o presidente dos Estados Unidos sinalizar durante a posse. “Esperamos que o que for dito repercuta nos mercados mundo afora e criem possibilidades para voltarmos a normalidade dos negócios. Até porque Marabá e a região toda gira em torno da industria da siderugia. Se a situação perdurar, prejudica toda a cadeia produtiva”, afirma o representante das guseiras.

Mineração

Na indústria mineral extrativa, a crise ainda não trouxe grandes impactos. Pelo menos é o que diz o coordenador Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), André Reis, amparado pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego. Ele demonstra que, em dezembro passado, houve um saldo negativo de 0,78% na geração de postos de trabalho neste setor, quando comparado com o mesmo mês de 2007. O perído foi marcado por 64 admissões e 149 desligamentos, portanto, 85 vagas a menos.
Nos 12 meses de 2008, as indústrias de mineração admitiram 3.199 trabalhadores e demitiram 1480, gerando um saldo positivo de 1719 empregos, correspondente a 18,98%, comparado ao ano anterior. André assinala que é o segundo melhor resultado, perdendo apenas para o setor de calçados. Porém, o crescimento nesse setor é de mais de 24%, mas em números reais, o saldo positivo é bem menor do que o registrado com a mineração: 47 postos de trabalho.
André Reis garante que a crise não é intensa na indústria de extração mineral no Pará, porque o Estado possui um minério de excelente qualidade, o que mantém no nível de produção alto devido a demanda constante. “A crise mudial é preocupante sem dúvida. Mas ainda não atingiu o setor mineral extrativista no Pará”, comenta.

Trabalhadores

O presidente da Federação dos Trabalhadores do Comércio do Estado do Pará e Amapá (Fetracom) e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), José Franciso Pereira, também tem informações de demissões em setores importantes, como o de exportação de carne. A preocupação da classe é que sejam mantidos os postos de trabalho sem redução de carga horária e tampouco de salário. O dirigente diz que governo estadual e federal precisam ser agéis e tomar medidas para evitar as demissões em massa. Uma das sugestões é a redução da carga tributária das empresas, diz ele.
“Governo do Estado e governo federal precisam achar meios de compensar essas perdas financeiras. Uma das maneiras é a redução de tributos para redução de despesas e manutenção dos empregos”, comenta Zé Francisco. Ele pontua que os trabalhadores não estão dispostos a abrir mão de seus salários, porém, é possível reduzir as horas extras nas empresas para fazer economia de custos. “Estamos numa crise e a demanda produtiva é menor. Se não tem demanda, não faz sentido algum permanecer com as horas extras”, pondera. Segundo presidente da Federação, a medida pode gerar uma economia de cerca de 20% em despesas com pessoal para as empresas.

O Liberal – PA


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