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Desempenho de mineradoras em 2012 depende da China, mas preço deve ficar estável

Notícias Gerais

20/12/2011


SÃO PAULO – Durante todo o ano de 2011, o preço do minério de ferro apresentou um movimento de forte alta, chegando a encerrar o terceiro trimestre no maior valor histórico. Segundo dados da Vale (VALE3, VALE5), o insumo custou US$ 151,26 a tonelada, em média, nesse período. Já o FMI (Fundo Monetário Internacional) mostra que o valor chegou a US$ 171,23 em setembro.
Mas, se esse avanço intenso fez com que os resultados das mineradoras fossem bem expressivos nos últimos trimestres, a queda na demanda por conta da crise vinda da Zona do Euro e a elevação dos estoques, principalmente do maior cliente brasileiro, a China, fizeram com que os níveis começassem a baixar, principalmente no último quarto, mesmo que ainda acima da média anterior. Alguns consumidores asiáticos fizeram com que as produtoras tivessem que mudar a precificação nos contratos de venda, fazendo o custo se aproximar daquele no mercado à vista.
Para 2012, as empresas têm dois cenários possíveis a enfrentar: um deles é com a piora do impasse fiscal europeu. A procura pelas commodities poderia cair ainda mais, com os minérios sendo mais uma vez afetados negativamente, o que tiraria receita do setor. Mas o outro, que os analistas consideram mais possível, é que esse nível permanece, e o preço dos minérios em geral se mantenha estável. Assim, conseguir manter contratos de curto prazo pode fazer com que as companhias saiam ganhando.
China é ponto-chave
Para Victor Penna, analista de mineração do BB Investimentos, o ponto-chave é saber o quando a China vai crescer no ano que vem. Se a perspectiva de consenso é que o PIB (Produto Interno Bruto) do país se eleve entre 8% e 9%, as ações do governo para conter o mercado imobiliário e, consequentemente, a forte urbanização observada nos últimos anos, podem fazer com que a produção siderúrgica por lá caia ainda mais.
O especialista vê o mercado de aço crescendo 6% no ano que vem, contra aproximadamente 7,5% em 2011. Já os Estados Unidos, outro grande cliente das mineradoras do Brasil, espera algo em torno de 4%. ?O problema é que o mercado está ficando um pouco mais apertado, visto que EUA e Europa já são bem maduros, e os investimentos nesse sentido vêm desacelerando?, explica. Por isso que o gigante asiático se mostra tão importante na hora de analisar as possibilidade de avanço no setor.
Além disso, todo esse cenário continua a impactar na precificação das commodities. O minério de ferro, por exemplo, já foi considerado pela Vale, durante uma reunião com investidores em Londres, um dos maiores problemas nesse sentido. A empresa chegou até a afirmar que busca uma plataforma única de negociação do produto, mas que ele se difere de quase todos segmentos. Penna avalia que o grande problema, nesse sentido, é mesmo a volatilidade.
Já Jonathan Brandt, responsável do HSBC pela pesquisa no setor, diz que o principal fator que pode pressionar as ações é exatamente se os clientes quiserem voltar ao sistema que marca os contratos mais longos. Se a própria Vale já oferece os negócios com preço mensal, a possibilidade de alta nos custos pode fazer com que chinesas, por exemplo, queiram voltar ao modelo trimestral, ou talvez semestral. ?As empresas querem sempre ter o benefício?, opina, lembrando também que a maior vendedora de ferro do mundo já trabalha com a possibilidade de recuperações, caso o preço suba, e repasses, caso ele caia.
Câmbio e dinheiro em caixa
Com as projeções indicando certa desvalorização do real frente ao dólar, as exportações das mineradoras brasileiras também devem ser impulsionadas. Rodrigo Fernandes, da Fator Corretora, vê as receitas dessas empresas subindo por conta desse movimento positivo da moeda norte-americana. Isso traria maior dinheiro em caixa, o que fabrica um cenário mais propício para que fusões e aquisições sejam realizadas.
O problema, segundo o analista, fica por conta dos problemas encontrados recentemente para que as companhias consigam realizar grandes operações. Mesmo entre as siderúrgicas que têm ativos consideráveis em mineração, como a CSN (CSNA3), que vem aumentando participação na Usiminas (USIM3, USIM5), esse processo se mostrou atravancado durante o ano. Para Vale, no entanto, Fernandes não vê uma negociação grande acontecendo no curto prazo.
Cabe também lembrar que o novo marco regulatório às produtoras de minério no País vai provavelmente sair em 2012, o que pode afetar drasticamente o desempenho das empresas. A principal discussão ainda gira em torno da mudança na tributação para o setor, além da extensão dos direitos de exploração. No entanto, não existe ainda nenhuma proposta concreta para resolver o impasse, com o Ministério de Minas e Energia não apresentando um documento formal nesse sentido.

InfoMoney


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