NOTÍCIAS

Descoberta de depósito de minerais impulsiona projetos

Notícias Gerais

13/09/2010


A descoberta de um depósito de minerais na região oeste de Mato Grosso, antes mesmo da conclusão dos estudos sobre a viabilidade econômica, movimenta a economia do Estado e impulsiona projetos antigos que podem ser acelerados em virtude do potencial. No dia 1º de setembro, o governo estadual anunciou o encontro de minério de ferro e de fosfato no município de Mirassol D”Oeste, a 330 quilômetros da Capital. A riqueza estaria compreendida em uma área de aproximadamente 70 quilômetros quadrados e se estenderia ainda para outras cidades, como Porto Esperidião, Glória do Oeste e Cáceres.
Com a notícia tornada pública, o mercado começou a reagir e empresários, políticos e a população em geral passam ter novas expectativas para a região. Na cidade de Mirassol D”Oeste, os proprietários de fazendas que pretendiam vender as terras mudaram de ideia, as placas de “Vende-se” das casas na cidade foram recolhidas e a população está esperançosa com os avanços que poderão ocorrer.
Mas fora do perímetro da cidade, outros projetos mais grandiosos ganharam força, como é o caso da construção dos trilhos da Ferronorte até Cuiabá. Após a liberação da concessão por parte da América Latina Logística para que outra empresa dê continuidade a construção do trecho entre Rondonópolis e Cuiabá, os estudos de viabilidade econômica terão mais um atributo favorável, é o que afirma o superintendente substituto da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Francisco Magalhães. Segundo o representante do órgão federal, apesar de ainda não haver nada pontual sobre a influência de uma exploração mineral sobre a ferrovia, a condição se torna mais uma alternativa de rentabilidade para a Ferronorte. “Com recursos minerais a serem explorados, os estudos sobre o retorno de investimento na construção da ferrovia ganham mais um item de viabilidade porque significa que haverá mais uma modalidade de carga e assim mais rentabilidade”.
Para o presidente do Fórum Pró-Ferronorte, Francisco Vuolo, a notícia impulsiona ainda um outro projeto do Fórum, que seria a concessão para a construção e operação de uma via entre a Capital e Cáceres. “Já tínhamos a proposta de estender os trilhos até Cáceres para integrar hidrovia, ferrovia e rodovia. Com a presença de recursos minerais isso ganha mais um atrativo”.
Cáceres está localizada a 112 km de Mirassol d”Oeste e a notícia também gera expectativas na economia da cidade. De acordo como o prefeito Túlio Fontes (DEM), a riqueza mineral trará mais investimentos e viabilizará não só a construção dos trilhos, mas a continuidade do projeto da instalação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). “Desde 1987 Cáceres luta pela implantação da ZPE. Ano passado o governo federal retirou o projeto da gaveta e agora estamos indo atrás para não perder a oportunidade. A ZPE seria importante não só para Cáceres e região, mas para todo o Estado, visto que será a única em Mato Grosso e uma das 17 que devem ser implantadas no país”.
O prefeito de Mirassol D”Oeste, Aparecido Donizeti da Silva (PT), também aposta no desenvolvimento do município com a possível jazida em seu entorno. Segundo o prefeito, não só Mirassol, mas todo o entorno será beneficiado e que isso ainda poderá atrair empresas e indústrias para a região e assim mais investimentos.
A partir de agora, os estudos sobre a viabilidade econômica da exploração dos minérios devem ser intensificados. O geólogo e mestre que deu início às pesquisas na região, Gercino Domingos da Silva, estima que até o começo das operações minerais na região devem se passar 10 anos, mas que este tempo pode ser reduzido de acordo com os interesses da empresa que irá realizar o levantamento de viabilidade técnica e financeira.
Uma riqueza entre as rochas -Em 2007, o geólogo da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Gercino da Silva, iniciou sua pesquisa de mestrado na Serra do Caeté, região onde foi comprovada a presença de minério de ferro e fosfato. Os estudos ganharam mais impulso quando o pesquisador foi convidado para integrar o Programa Brasil Fosfato, do governo federal, há um ano. Durante todo o período em que esteve em campo, o geólogo detectou, através da análise das rochas, a presença dos dois elementos intercaladamente entre as camadas das rochas ritmitas de formação sedimentar.
A origem sedimentar da rocha é um outro diferencial no país, visto que a exploração de minério de ferro geralmente se dá em rochas ígneas, que são mais resistentes e por isso mais difíceis de serem exploradas.
A menor resistência, porém, não significa que será fácil explorar os dois minerais na região. De acordo com Gercino da Silva, as camadas intercaladas de minério de ferro e de fosfato são uma novidade na literatura em que pesquisa. “Ainda não conhecia esta formação e isso pode acabar por dificultar a exploração, visto que novas técnicas deverão ser desenvolvidas para separar os dois elementos”. Mesmo assim, o geólogo não desanima. “Acredito e tenho muita esperança na viabilidade. Agora é preciso investir em geofísica e metalurgia para o desenvolvimento das novas tecnologias”.
Como todo o subsolo nacional pertence à União, Gercino explica que os trabalhos do governo estadual se encerram e que a continuidade vai depender do interesse da empresa que tem a área requerida e do estímulo do governo federal.
O material encontrado está em uma área sob concessão de pesquisa para a empresa GME4, mineradora que atua em todo o país e que pertence ao grupo Opportunity. No Brasil, as empresas especializadas em exploração mineral, antes de iniciar os estudos sobre a presença ou não de minérios, requerem junto ao governo federal a autorização e recebem um prazo de 3 anos, prorrogáveis por mais 2 para entregar os relatórios. Após a conclusão dos estudos, caso haja viabilidade, a empresa tem preferência pela exploração.
Todos os rendimentos fruto da exploração são repartidos entre a mineradora e a União e apenas 3%, em média, voltam para o governo estadual, dos quais 65% são revertidos aos municípios em que as minas estão localizadas.
Por isso, não compensa que o governo invista, mas é de interesse que ele incentive a vinda das mineradoras, visto que os benefícios ultrapassam a rentabilidade da mina, como a geração de empregos, a vinda de investimentos federais e a instalação de indústrias que dão suporte à exploração.

A Gazeta


Compartilhe:

Assine nossa newsletter e fique por dentro das últimas notícias do setor INSCREVER