Descarbonização exige articulação entre setores para fortalecer competitividade da mineração
27/08/2026
Em painel da EXPOSIBRAM 2026, representantes do governo, da indústria e da mineração debatem regulação, financiamento, inovação e estratégias conjuntas para acelerar a transição a uma economia de baixo carbono

A programação da Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026) destacou, no dia 27/8, o painel “Articulação multissetorial para promoção da descarbonização no setor Mineral”, dedicado às estratégias conjuntas entre o poder público, a iniciativa privada e instituições técnicas para acelerar a transição rumo a uma economia de baixo carbono e fortalecer o mercado regulado de carbono no Brasil.
O debate foi moderado pela gerente de Assuntos Ambientais e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Cláudia Franco de Salles Dias, e contou com a participação do superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Davi Bomtempo; do coordenador-geral de Regulação da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, do Ministério da Fazenda, Henrique Paiva de Paula; do diretor de Sustentabilidade para as Américas e diretor de Indústrias da consultoria global dss+, Matthew John Govier; e da gerente-geral de Mudanças Climáticas e Descarbonização da Vale, Vivian Mac Knight.
Para a moderadora, Cláudia Franco, a articulação entre diferentes setores é fundamental para promover uma economia de baixo carbono e viabilizar o cumprimento das metas climáticas nacionais e internacionais. “A transição energética vem com esse objetivo, de você ter uma articulação multissetorial, uma conexão para conseguir garantir a promoção de uma economia de baixo carbono”, afirmou.
Descarbonização não é responsabilidade exclusiva das empresas
Ao longo do painel, os participantes convergiram na avaliação de que a descarbonização não pode ser tratada como uma responsabilidade exclusiva das empresas. A transição envolve políticas públicas, regulamentação, infraestrutura, financiamento e articulação internacional. Nesse contexto, a competitividade do setor mineral brasileiro foi apresentada como uma questão central, sobretudo diante das transformações nas exigências do mercado consumidor e das novas regras internacionais relacionadas às emissões de carbono.
Na avaliação do superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, a regulamentação constitui um dos principais instrumentos para conferir segurança jurídica e estimular investimentos. Ele destacou que diferentes marcos aprovados nos últimos anos, entre eles, o mercado de carbono e o programa Combustível do Futuro, ingressam agora em uma etapa de regulamentação.
Bomtempo também chamou a atenção para a necessidade de qualificação da mão de obra e para os custos de transação. Segundo ele, a descarbonização demanda investimentos elevados, e um dos principais desafios consiste em ampliar o acesso a recursos em condições competitivas, inclusive para empresas de menor porte. “A grande questão é como você transforma essa agenda numa oportunidade de negócio. Como desenvolver um financiamento de fácil acesso, também para os pequenos, que têm dificuldade de garantir como trabalhar a questão, para tentar trazer o financiamento a níveis competitivos”, afirmou.
Para governo, descarbonização também constitui uma agenda econômica e de competitividade
O coordenador-geral de Regulação da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, do Ministério da Fazenda, Henrique Paiva de Paula, explicou que a decisão de alocar a estrutura responsável pelo mercado regulado no Ministério da Fazenda está relacionada à compreensão de que a descarbonização também constitui uma agenda econômica e de competitividade.
Segundo Henrique, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) foi instituído pela Lei nº 15.042, aprovada no final de 2024, e sua implementação ocorrerá de maneira gradual. O governo trabalha atualmente na regulamentação do sistema, na estruturação de sua governança, nos mecanismos de mensuração, relato e verificação (MRV), no registro central e nos programas relacionados à compensação de emissões.
“A Lei 15.042 foi aprovada no final de 2024, ela instituiu o mercado regulado de carbono no Brasil e estabeleceu cinco fases de implementação. Ela prevê essa gradualidade, a gente tá no meio para o final da fase 1, que se encerra no final deste ano”, explicou.
A mineração está prevista para ingressar na etapa 2 das obrigações de mensuração, relato e verificação (MRV) a partir de 2029. O funcionamento pleno do mercado, com a definição de limites e a negociação de ativos, está previsto para uma etapa posterior. Henrique ressaltou que a implementação gradual é necessária para assegurar previsibilidade, capacidade institucional e competitividade.
Outro ponto abordado foi a necessidade de integração entre governo, empresas e academia na elaboração das regras. A Consulta Pública sobre as obrigações de mensuração, relato e verificação foi apresentada como uma oportunidade para que os diferentes setores contribuam para a construção da regulamentação.
A gerente-geral de Mudanças Climáticas e Descarbonização da Vale, Vivian Mac Knight, apresentou a perspectiva empresarial e destacou que as mudanças climáticas afetam as mineradoras tanto pela necessidade de reduzir suas emissões quanto pelos impactos físicos provocados por eventos climáticos extremos.
Por se tratar de uma indústria intensiva em energia, a mineração precisa considerar a descarbonização em diferentes etapas da cadeia, desde as operações de lavra e a logística até o beneficiamento e o transporte. Ao mesmo tempo, as empresas precisam avaliar sua capacidade de resiliência diante de eventos extremos que podem afetar portos, ferrovias, estradas e outras estruturas essenciais às operações.
A executiva também defendeu a articulação entre diferentes setores para viabilizar soluções que ultrapassem os limites de uma única empresa, citando biocombustíveis e outras alternativas para a transição energética. “Grande parte dos desafios que as empresas encontram para conseguir implantar as iniciativas de descarbonização são soluções que precisam ser discutidas de uma forma um pouco mais ampla”, afirmou.
O diretor de Sustentabilidade para as Américas e diretor de Indústrias da dss+, Matthew John Govier, trouxe uma perspectiva estratégica sobre os impactos da descarbonização nos investimentos de longo prazo da mineração. Segundo ele, o ciclo de desenvolvimento de uma mina é extenso, o que exige que as empresas considerem, desde já, um cenário em que o custo das emissões de carbono tende a aumentar.
Govier dividiu as iniciativas de descarbonização em três grupos: ações de ganho rápido, como eficiência operacional e energética; projetos mais complexos, como novas rotas de produção e grandes empreendimentos; e tecnologias ainda em desenvolvimento, como hidrogênio verde e captura de carbono.
Para ele, à medida que a indústria avança na redução de emissões, as soluções deixam de depender exclusivamente das empresas e passam a exigir maior cooperação entre diferentes atores. “Então, uma empresa consegue reduzir uma parte importante das emissões sozinha, mas não consegue descarbonizar o sistema como um todo”, afirmou.
O consultor também ressaltou que o Brasil reúne condições favoráveis para transformar a transição energética em vantagem competitiva, citando a disponibilidade de recursos minerais, a matriz energética renovável e a escala produtiva do país. Para Matthew, o desafio não deve ser escolher entre descarbonização e competitividade, mas fazer com que uma agenda impulsione a outra. “O desafio aí é a gente transformar descarbonização em competitividade e buscar oportunidades de negócio”, destacou.
Ao final, a discussão reforçou a compreensão de que a descarbonização do setor mineral depende de uma estratégia integrada, capaz de articular regulação, financiamento, inovação, qualificação profissional e adaptação climática. Para os participantes, o Brasil reúne condições para transformar seus recursos naturais e suas vantagens energéticas em oportunidades de desenvolvimento, desde que consiga integrar os diferentes atores e assegurar segurança jurídica, previsibilidade e competitividade ao longo da transição para uma economia de baixo carbono.
Patrocínios e apoios da EXPOSIBRAM 2026
A EXPOSIBRAM 2026 conta com o patrocínio de importantes empresas e instituições dos setores mineral, industrial e de tecnologia. Na categoria Master, o evento tem como patrocinadora a BHP e a Vale. Na categoria Diamante, participam Aeolus e Ero Copper. Entre os patrocinadores Platina estão Anglo American Brasil, BVP, CMOC Brasil Mineração, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), Compañía Electro Metalúrgica S.A., Huawei do Brasil, Loctite, Lundin Mining, Norsk Hydro e Taboca. Na categoria Ouro, figuram AngloGold Ashanti, Kinross Brasil e Nexa Resources. Entre os patrocinadores Prata, estão ArcelorMittal Brasil, Geosol e Mineração Usiminas. Na categoria Bronze, apoiam o evento Accenture, Alcoa, Appian Capital Brazil (Atlantic Nickel), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Del Rey Minerals, Dinâmica, DXC Technology, Hatch, Hexagon Mining, Mosaic Fertilizantes, Pirobras, Samarco e St George Brasil.
A EXPOSIBRAM 2026 também conta com amplo apoio institucional de entidades como Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), ABIAPE, Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), ABIMAQ, ABIMEX, ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACE Energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABREMI), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Amcham Brasil, Agência Nacional de Mineração (ANM), APEMI, CAEMG, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), International Geosynthetic Society (IGS), Movimento pela Inovação na Mineração e Desenvolvimento (MINDE), Mining Hub Brasil (Mining Hub), OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo), Organismo Latino-Americano de Mineração (OLAMI), RMMG, Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Serviço Geológico do Brasil (SGB), SGB Núcleo Bahia-Sergipe, Sindicato das Indústrias Minerárias do Estado do Pará (SIMINERAL), Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (SINAEES-MG), Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e Women in Mining Brasil (WIM Brasil).
No apoio editorial, participam veículos especializados como 2A+ Mineração, BNews, Brasil Mineral, Cidades e Minerais, CKS Online, Climatempo, Conexão Mineral, EAE Máquinas, In The Mine, Minera Minas, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Notícias de Mineração Brasil, Podcast da Mineração, Por Dentro de Minas, Radar Mineração, Revista Amazônia, Revista Areia & Brita, Revista M&T, Revista Novo Solo e The Mining.
Serviço:
EXPOSIBRAM 2026
Data: 24 a 27 de agosto de 2026
Local: EXPOMINAS – Belo Horizonte – MG
Mais informações em https://exposibram2026.ibram.org.br/