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Desafio de Minas é a infraestrutura

Notícias Gerais

17/11/2011


A secretária Dorothea Werneck diz por que Minas é mais do que minério de ferro e aponta os caminhos por onde passará o desenvolvimento do estado
Durante 12 semanas, a equipe do Estado de Minas percorreu 11.433 quilômetros e visitou cidades das dez regiões de planejamento do estado. O material recolhido foi transformado nas edições semanais da série Riquezas de Minas, cujas reportagens, fotos e vídeos (publicados na internet) ressaltaram as vocações econômicas das regiões Central, Rio Doce, Centro-Oeste, Jequitinhonha e Mucuri, Sul, Zona da Mata, Alto Paranaíba, Norte de Minas, Noroeste de Minas e Triângulo Mineiro. Nesta entrevista, que encerra a série, a secretária de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Dorothea Werneck, fala das perspectivas de crescimento e de modernização da economia mineira.;;
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Por que a senhora ressalta sempre o que chama de Minas do século 21, em contraposição a Minas do século 19?Porque nós, mineiros, que temos muito apreço pela tradição, precisamos abrir espaço para o que está acontecendo hoje. Precisamos entender por exemplo, que, além do maravilhoso patrimônio histórico, a cidade de Ouro Preto tem uma excelente escola de engenharia e a única fábrica de latinhas de refrigerante e cerveja no estado. É importante curtir o pão de queijo e a cachaça, mas é importante, ao mesmo tempo, saber que está em Minas a maior fábrica de leite em pó e de leite condensado do Brasil. Minas tem a única fábrica de helicópteros da América Latina, em Itajubá. A fábrica da Fiat é a maior planta produtora de veículos do mundo. Nós temos aqui a Fundação Dom Cabral, classificada pelo Financial Times como a quinta melhor escola de negócios do mundo. É para isso que eu chamo a atenção. Coisas que muitas vezes a gente sabe, mas não divulga.
;Critica-se o fato de a economia do estado estar muito presa à mineração, quando poderia gerar mais riquezas se agregasse valor ao minério de ferro em vez de vendê-lo como produto primário.;Existe essa impressão que Minas não agrega valor ao seus produtos. Mas Minas tem grandes siderúrgicas. Recentemente, a Vallourec Sumitomo do Brasil (VSB) inaugurou em Jeceaba uma fábrica para produzir tubos sem costura, que é o máximo em termos de valor agregado ao minério. Além disso, não se deve pensar apenas no ferro. Há mais de 40 tipos de minério identificados e sendo explorados em território mineiro. Em outros minérios, nós temos, sim, agregação de valor. Um exemplo disso é o emprego do calcário na produção de cimento. Já temos mais de 25% da produção brasileira de cimento. Temos o nióbio, cuja fábrica em Minas é responsável por 92% de toda a exportação desse minério no mundo. Temos ainda produtos essenciais para a área de fertilizantes, como o fosfato. Por causa dele, a Vale Fertilizantes vai ampliar a fábrica de Uberaba e construir uma nova unidade em Patrocínio. Temos a bauxita, o níquel, o potássio.
;Outra crítica diz respeito ao impacto da mineração sobre o meio ambiente. É preciso recolocar a discussão sobre o meio ambiente nos seguintes termos: se o produto está na terra e tem que ser explorado, vai fazer buraco. A questão é: como vão ficar essas áreas depois que terminar a exploração? O Parque das Mangabeiras; é um exemplo de como é possível recuperar e devolver para a sociedade áreas que foram exploradas pelas mineradoras.
;Quais as expectativas do governo quanto à nova fronteira mineral, no Norte de Minas?O preço do minério de ferro no mercado mundial e as novas tecnologias permitiram que muitas minas que estavam fechadas fossem reabertas e que áreas de rejeito de minério sejam reaproveitadas. A mineração no Norte de Minas será feita em áreas que têm minério de ferro com teor de 30%. O clássico, até agora, eram teores de 67% a 70%.
;Qual é o potencial real?Há condições, dada a produção de minério de ferro, de se construir uma siderúrgica ali. Mas o Norte de Minas não tem só minério de ferro. Há um empreendimento enorme sendo avaliado para o aproveitamento da grafita, usada nos refratários. Há outro na área de ouro, com a Gold Carpation. Foram identificadas na região ocorrências de níquel, apatita (fosfato), granitos, mármores, terras raras, manganês, rochas ornamentais, lítio, diamante, sílica (quartzo), sem contar as jazidas de gás natural. Isso mostra o potencial de atração de novas indústrias para a região. O maior de todos, porém, é o do gás. Ele vai permitir a instalação de empresas que o usam diretamente ou que podem usá-lo para a produção de energia. Nos próximos três ou cinco anos, o gás natural vai levar para a região empreendimentos muito importantes que vão alavancar o desenvolvimento local.
;Estudiosos alertam para o processo de empobrecimento da Zona da Mata e do Vale do Rio Doce. Qual é a saída para reduzir essas desigualdades?Vamos reconhecer que o estado ainda é muito desigual. Mas vamos também reconhecer o que já está acontecendo. Numa reunião que fiz; em Juiz de Fora com todas as lideranças da Zona da Mata, o que mais me chamou a atenção foram os exemplos de sucesso. O município de Dona Euzébia, naquela região, é o maior produtor de mudas para paisagismo do Brasil. São 300 caminhões só para fazer a distribuição das mudas. Outro representante da microrregião disse que a indústria de móveis em Ubá deslanchou. Em Ponte Nova, existe uma empresa atacadista, a Bartofil, que é a quarta maior do Brasil. Acaba de ser inaugurada ali a nova unidade da Laticínios Porto Alegre, com expansão da compra de leite para 14 municípios. O frigorífico de carne de porco está dobrando de tamanho. Está em construção uma unidade de moagem de trigo e uma de produção de ração para suínos. Sem deixar de reconhecer que é necessária uma ação com foco no desenvolvimento para essas áreas de Minas Gerais, que são menos desenvolvidas, incluindo Zona da Mata, vales do Rio Doce e Mucuri e Norte de Minas, também é importante começar a identificar o que já está acontecendo. No Vale do Rio Doce, por exemplo, tem a Cenibra. A possibilidade é de continuar avançando em qualquer coisa relativa à produção de celulose. Ali já há um investimento de um laticínio importantíssimo que vai usar a produção leiteira da região. Há também potencial de minério. Sempre há um sonho de construir uma siderúrgica em Governador Valadares, que oferece vantagens logísticas. Eu desenharia um cenário mais otimista para essas regiões.
;Qual é a importância do projeto da aerotrópolis para o desenvolvimento da RMBH? Até que ponto o governo de Minas comprou essa ideia?O Plano Macroestrutural para o Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) é um projeto prioritário do governo de Minas e reflete uma das características mais fortes da nossa gestão, que é a preocupação com o planejamento de longo prazo. A expansão do Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN) e a inclusão do aeroporto-indústria constituem os pilares da aerotrópolis e nesse contexto está a identificação de setores estratégicos como as indústrias aeronáutica e de defesa, de alta tecnologia, de serviços avançados, eletroeletrônicos, tecnologia da informação, ciências da vida (equipamentos e serviços odonto-médico-hospitalares). Esse plano, além de orientar os investimentos, tem como característica a geração de empregos de qualidade, o que é um dos grandes objetivos do atual governo. O aeroporto-indústria já está avançado e os investimentos já estão chegando, beneficiando não só a RMBH; como todo o estado.
;Quais os principais desafios do estado hoje?Infraestrutura, infraestrutura, infraestrutura.

Estado de Minas


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