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Demanda por terras-raras preocupa importadores

Notícias Gerais

18/10/2010


Alarmado pela decisão da China de cortar embarques de metais cruciais para as empresas de alta tecnologia e montadoras, o Japão está se mexendo para buscar suprimento alternativo, particularmente com o desenvolvimento de novas minas no exterior.
As empresas japonesas enfrentam cortes drásticos nas importações dos produtos conhecidos como metais de terras-raras vindos da China desde julho, uma situação que se deteriorou muito desde que os dois países se envolveram em um espinhoso conflito bilateral, depois da colisão de um navio nas disputadas águas do Mar da China Oriental, no mês passado. Isso alimentou ansiedades no Japão, de longe o maior importador mundial de terras-raras, já que a China passou a dominar a produção mundial desses metais, com fatia de mercado de 97%, depois de ter batido preços de outros países, como os Estados Unidos e a Austrália, nas últimas duas décadas.
Por causa da natureza estratégica do comércio de terras-raras, a situação renovou a percepção entre os legisladores japoneses de que o governo precisa ter um papel mais importante em garantir o suprimento de recursos naturais, em um momento em que rápidas mudanças nas economias emergentes intensificam a competição por materiais industriais. Tóquio planeja alocar 100 bilhões de ienes (US$ 1,2 bilhão) para melhorar o fornecimento de metais de terras-raras, com um orçamento extra para o ano fiscal corrente até março, quase a metade do valor determinado para investimentos em mineração no exterior. A pesquisa e o desenvolvimento de materiais alternativos, assim como unidades para reciclar materiais de computadores e celulares descartados, também vão receber fundos.
Este mês, o primeiro-ministro Naoto Kan chegou a um acordo com o primeiro-ministro da Mongólia, Sukhbaatar Batbold, sobre um projeto acelerado para desenvolver metais de terras-raras na Mongólia. A exploração começa este mês. Da mesma forma, a japonesa Sumitomo Corp. está desenvolvendo uma mina no Casaquistão.
A Sojitz Corp., empresa de comércio exterior que é uma das maiores importadoras de terras-raras do Japão, estima que o país vá enfrentar um déficit de 10.200 toneladas dos metais no ano que vem, se a China mantiver sua cota global de exportação no nível deste ano, que ficou em torno de 30.000 toneladas. As estimativas são de que o Japão demande 32.000 toneladas no ano que vem, ante 24.800 toneladas para as outras nações combinadas, excluindo a China, diz Sojitz.
“Assegurar o suprimento estável de longo prazo de recursos minerais, entre eles terras-raras, é um dos objetivos diplomáticos mais importantes do Japão”, disse o ministro de Relações Exteriores, Seiji Maehara, em uma coletiva de imprensa este mês. “Nós vamos trabalhar como um time para oferecer forte suporte para as nossas empresas privadas.”
Esses esforços, entretanto, são complicados pela falta de clareza da política de exportação da China, que abruptamente notificou os importadores em meados do ano de que reduziria as remessas em 40% em 2010, em comparação a 2009. “Não está claro por quanto tempo esses cortes estarão em vigor, dificultando para as empresas determinarem se devem ir em frente com projetos caros de novas minas. A escassez deve durar pelo menos até o fim de 2011, até que o fornecimento das nossas minas comece a chegar ao mercado.”
Este mês, a Coreia do Sul disse que planeja expandir 17 bilhões de wons (US$ 15 milhões) até 2012, como parte de um projeto de longo prazo para assegurar 1.200 toneladas de reservas de terras-raras, de acordo com a Associated Press. Apesar do seu nome, existem abundantes reservas globais de terras-raras em países como os EUA, Canadá e África do Sul, dizem os especialistas, mas o seu processamento é normalmente caro e sujo.
“A única solução real para o problema é comprar novos direitos de mineração no exterior”, disse Toru Okabe, professor de engenharia especializado em metais de terras-raras, da Universidade de Tóquio. “Mas as minas fora da China não têm custos competitivos. Se a China começar a inundar de novo o mercado com suprimento barato, elas não conseguirão suportar a concorrência.”
Como os últimos cortes da China estão concentrados na segunda metade do ano, seus efeitos passaram a ser sentidos especialmente nos últimos meses. As empresas japonesas alegam que os embarques se tornaram severamente restritos a partir do mês passado.
Autoridades do governo chinês negam que tenham ordenado a paralisação das exportações de terras-raras para o Japão. Em vez disso, elas responderam às críticas sobre as cotas – vindas de autoridades dos EUA, União Europeia e Japão – dizendo que o sistema é necessário para a sustentabilidade de um setor que se expandiu muito rapidamente e pode ser prejudicial ao meio ambiente. As autoridades também chamaram a atenção para os esforços para limitar o contrabando, inclusive para o Japão.
“O que nós procuramos é satisfazer não apenas a demanda doméstica, mas também a demanda global de terras-raras. Nós não devemos nos voltar apenas para o presente, mas devemos também olhar em direção ao futuro”, disse Wen Jiabao, este mês.
Nos fim de setembro, os agentes alfandegários chineses pareciam estar arrastando os pés nos portos do país ao examinar todos os produtos em rota para o Japão. Algumas empresas de comércio internacional dizem que a atividade de inspeção começou a se normalizar depois de um feriado de uma semana este mês. As autoridades japonesas, entretanto, disseram que os problemas alfandegários com os embarques para o Japão continuam acontecendo e até mesmo deram sinais de que poderão levar o caso à Organização Mundial do Comércio. Um porta-voz do Ministério do Comércio da China disse na sexta-feira que as restrições do país à exploração, produção e exportação de terras-raras são consistentes com as regras internacionais.
Um fator que pode estar por trás dos controles chineses à exportação é a percepção das autoridades de que o estoque de elementos de terras-raras estão sendo vendidos por um preço muito baixo. “A China é o maior produtor e exportador de terras-raras, mas o país não tem direitos suficientes para determinar o preço no mercado internacional”, escreveu Guo Chaoxian, bolsista de um grupo de pesquisa da Academia Chinesa de Ciências Sociais, em um comentário publicado esta semana.
O Japão não é o único que está buscando maneiras de complementar a produção da China ou esquivar-se da dependência global de um fornecedor que não é confiável.
As terras-raras incluem vários elementos diferentes, que são normalmente extraídos das mesmas minas, mas usados com objetivos diferentes. Um elemento cuja demanda está crescendo é o disprósio, um material magnético usado em motores de carros híbridos e em discos rígidos de computadores pessoais.

Valor Econômico


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