Demanda de minério vai valorizar Vale
28/03/2011
Para analistas, cenário mundial favorável ao consumo deve compensar impactos negativos da ingerência política
Apesar do período conturbado, com incertezas a respeito do seu comando, o mercado avalia que a forte oscilação, com viés de baixa, da Vale na bolsa de valores não afetará a rentabilidade dos papéis por muito tempo. Este ano, as ações preferenciais da companhia saíram de um pico de R$ 53,41 e chegaram R$ 44,70 em 16 de março. Na quinta-feira (24), o papel encerrou o pregão com baixa de 0,99%, a R$46,90, queda mais acentuada do que a do Ibovespa, que fechou o dia com recuo de 0,39%.
A situação conjuntural do setor de mineração é favorável para a empresa, que deverá recuperar seu valor de mercado com condições, inclusive, de ultrapassar sua cotação máxima, de R$ 60, registrada no pré-crise, em outubro de 2008.
No longo prazo, o desempenho da empresa na bolsa está em sintonia com seu crescimento. Em 2004, o papel da Vale estava precificado a R$ 15. Já no primeiro pregão de 2010, a cotação da ação foi de R$ 41,38.
Para o mercado, o preço da Vale, para dezembro deste ano, ficará entre R$ 58 e R$ 64 por ação preferencial. A principal ressalva dos analistas é quanto a entrada de um presidente com perfil político.
?Uma série de acontecimentos inibem uma valorização do papel da empresa, mas quando houver estabilidade no cenário internacional e o mundo voltar a olhar para o Brasil, vão perceber que o papel está barato e a valorização ocorrerá rapidamente?, observou o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.
As perspectivas para o mercado de minério de ferro deverão acelerar a valorização da empresa. A reconstrução do Japão demandará o insumo siderúrgico, além do apetite chinês pela commodity permanecer em alta.
Além disso, os grandes planos de expansão das mineradoras não serão concluídos no curto prazo, o que deixará o minério escasso e valorizado.
No entanto, de forma imediata, as catástrofe no Japão e a crise no Oriente Médio influenciam negativamente o mercado, que passa a operar com aversão a risco.
Sobre os rumores de ingerência política na companhia, Galdi avalia que o mercado já precificou a saída do Roger Agnelli, mas ainda não precificou seu sucessor.
O sócio da Principal Investimentos, Marcelo Cheyne, credita a oscilação dos papéis à sensibilidade do mercado.
?Não há o que reparar no management da empresa. Mesmo que se confirme a troca de comando, a estrutura da empresa será a mesma?, argumentou.
Também pesou no desempenho da Vale nas últimas semanas a redução de preços do minério de ferro. Neste ano, a tonelada já caiu de US$ 194 para US$ 165. Ainda assim, o preço está bem acima dos R$ 60 por tonelada praticado no pré-crise. Ainda deve ser levado em consideração, segundo analistas, que hoje o preço é renegociado trimestralmente, e não mais anualmente, como ocorria anteriormente.
Para o sócio da Money Investimentos, Francisco Fonseca Cambraia, a Vale tem condições, inclusive, de ser comercializada com prêmio ? valor adicional ? frente seus principais concorrentes: BHP Billiton e Rio Tinto. ?A Vale remunera bem seu acionistas e este é um diferencial precioso?, afirmou Cambraia.
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