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Decreto de crimes ambientais desperta ira da bancada ruralista

Notícias Gerais

10/12/2009


Local: São Paulo – SP Fonte: Valor Econômico Link: http://www.valoronline.com.br/
A dois dias de entrar em vigor, o decreto de crimes ambientais reavivou ontem a ira da bancada ruralista da Câmara com a política ambiental do governo Luiz Inácio Lula da Silva.; Na presença do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, os deputados da comissão de reforma do Código Florestal atacaram as ações do governo na área e, novamente, colocaram o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) como o principal adversário do setor rural.
Relator da comissão, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) acusou Minc de ser refém de ONGs ambientalistas.; “Cada secretaria foi tomada por uma ONG, todas tomadas por uma fúria legiferante”, afirmou.; E foi adiante: “Essas ONGs usaram o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), fizeram manobras para ter quórum e mudaram tudo.; Em São Paulo, reuniram-se com procuradores e, sem ninguém do governo, fizeram a MP 2166”, disse, em referência à medida provisória que alterou o Código Florestal, em 2001.; “Nem o Ibama nem ninguém do governo teve papel decisivo nessa legislação”.
O tom beligerante do relator atiçou os colegas.; “Esse Minc faz jogo de cena e tenta transformar produtor em bandido”, acusou Cezar Silvestri (PPS-PR).; E foi acompanhado: “Vivemos um colonialismo ambiental, uma nova forma de subjugar os países em desenvolvimento.; Há um terrorismo ambientalista”, afirmou Moreira Mendes (PPS-RO).; Também sobraram críticas a parlamentares da Frente Ambientalista.; “Tem meia dúzia de deputados que quer comandar a questão ambiental no país”, sustentou Ernandes Amorim (PTB-RO).; E foi apoiado: “Os ambientalistas fugiram desta comissão”, provocou Waldemir Moka (PMDB-MS).; Nem magistrados escaparam da fúria dos ruralistas.; “Esse Herman Benjamin é um “ongueiro”.; Hoje é ministro do STJ, mas está aí dando decisão dizendo que precisa recuperar as áreas de qualquer maneira”, criticou o presidente da Frente Agropecuária, Valdir Colatto (PMDB-SC).; Ex-procurador da República, Benjamin é professor de Direito Ambiental e ligado à defesa do consumidor.
A sessão de ataques teve na exposição do ministro Stephanes, principal adversário de Minc nos bastidores do governo.; “O Ministério Público vai continuar agindo e vai criar uma instabilidade maior do que se imagina.; O produtor está sendo agredido e em algum momento vai ter que tomar posição”, disse.; O ministro também afirmou encontrar dificuldades para enfrentar “debate técnico” no governo.; “Tenho dificuldades nos debates internos para chegar a equilíbrio e racionalidade.; Tem doutrina, tem dogmas que não podem ser alterados.; Me sinto estudante de esquerda da UNE, onde não se consegue ultrapassar os dogmas”, afirmou.; As críticas resvalaram no Ministério da Ciência e Tecnologia quando Stephanes revelou ter pedido “há um ano” um estudo ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).; “Pedi há mais de um ano ao Inpe para informar o que está entrando na área de floresta.; Afinal, quem é o culpado disso?; A pecuária, a soja?; Precisamos de dados reais que não estamos tendo”.; Ele afirmou, ainda, que os europeus não estão interessados em temas ambientais.; “Ministros europeus da Agricultura não discutem questão ambiental.; Querem saber de produção”, disse, em referência a recente reunião com colegas da União Europeia.


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