CSN quer investir US2bi em cimento na América Latina
27/10/2010
BUENOS AIRES (Reuters) – A CSN planeja investir 2 bilhões de dólares nos próximos três anos para expandir seu negócio de cimento na América Latina, disse à Reuters o presidente-executivo da empresa, Benjamin Steinbruch.
A CSN entrou no negócio de cimento no ano passado, com a abertura de uma fábrica em seu complexo siderúrgico em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Em 2011, a companhia iniciará uma nova rodada de investimentos.
Do total de aportes na área de cimento, a CSN já tem aprovado orçamento de cerca de 1 bilhão de dólares para expansões e novos projetos no Brasil. A empresa espera aprovar o valor restante, para negócios fora de seu país, na próxima reunião do Conselho em outubro ou novembro, disse Steinbruch.
“Uma fábrica de cimento custa de 200 a 250 dólares por tonelada. Então vamos investir 2 bilhões de dólares para alcançar 10 milhões de toneladas (de capacidade)”, disse ele em Buenos Aires.
“O Brasil será o primeiro, cerca de metade desse valor será (investido) no Brasil e a outra metade vai para Colômbia; e Argentina, Uruguai ou Paraguai, um dos três, e então vamos avaliar Chile e Peru também”, afirmou Steinbruch.
Em dezembro, a CSN fracassou em sua tentativa de comprar a cimenteira portuguesa Cimpor, por meio de uma oferta hostil de aquisição, com a qual buscava uma posição relevante no mercado mundial de cimento.
Nos primeiros seis meses do ano, a CSN vendeu 99 por cento das 377 mil toneladas que produziu de cimento e tem planos de três novas fábricas no Brasil para elevar sua capacidade no país para 5,4 milhões de toneladas em 2014.
O executivo disse também que a companhia está buscando possíveis aquisições no setor de siderurgia na América Latina, mas somente tomará decisão de investimento se encontrar uma “boa oportunidade”.
CASA DE PEDRA
Em mineração, Steinbruch comentou que a CSN espera para o início de 2011 a listagem em bolsa de seu negócio de minério de ferro. Segundo ele, negociações com sócios asiáticos da unidade de minério Namisa “estão indo bem”. A intenção é fundir esse ativo com a mina Casa de Pedra para elevar o valor dos ativos de mineração do grupo antes da Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês).
“O desafio é decidir quais o termos que vão reger a parceria”, disse Steinbruch sobre os sócios da Namisa.
Com a listagem da operação de minério de ferro, Steinbruch espera que a CSN eleve o valor do negócio e levante recursos para aquisições.
Ao deter a maior parte dos ativos que poderão formar a nova unidade de mineração listada, a CSN deve diluir a posição dos sócios asiáticos na Namisa. Alguns deles são as siderúrgicas coreana Posco e a japonesa Nippon Steel.
O consórcio asiático, chamado de Big Jump, pagou cerca de 3 bilhões de dólares pela participação de 40 por cento na Namisa no final de 2008.
“O problema é que eles têm 40 por cento de participação na Namisa e, claro, isso vai encolher quando acontecer a fusão com Casa de Pedra… Isso vai mudar os termos da governança da parceria e isso tem que ser discutido”, disse Steinbruch.
Analistas estimam que a CSN possa levantar até 3,5 bilhões de dólares com a venda de uma participação da unidade minério de ferro no IPO, o que deve incluir a mina Casa de Pedra, a Namisa e algumas ligações logísticas entre áreas produtoras e porto.
A unidade de minério de ferro da CSN é a operação de crescimento mais rápido do grupo e está incentivando a expansão do conglomerado, segundo analistas.
(Reportagem adicional de Guillermo-Parra Bernal em São Paulo)
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O Globo