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CSN: Mercado espera novas investidas em cimento mas prefere minério

Notícias Gerais

24/02/2010


A investida da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) sobre a portuguesa Cimpor foi considerada um passo tão grande para a empresa que analistas esperam novas movimentações da siderúrgica sobre outros ativos de cimento. ?Não dá para dizer que esta grande oferta se baseou apenas no interesse pela Cimpor.
A CSN disse ao mundo que está interessada em cimento?, disse o analista do Santander, Felipe Reis. Segundo ele, várias cimenteiras de médio porte podem ser novos alvos da empresa a partir de agora, especialmente no Brasil. No entanto, a torcida do mercado ainda é pelo fortalecimento das operações de minério de ferro da siderúrgica, o que garantiria menores custos na produção de aço e boas margens na exportação do minério.
Por trás da lógica de diversificação da CSN está o plano do seu presidente, Benjamin Steinbruch, de transformar a empresa em uma holding controladora de empresas atuantes em diferentes áreas de mercado – mineração, siderurgia, cimento, energia e logística. ?Cimento é uma perna que precisa ser desenvolvida, e uma aquisição tornaria este processo muito mais rápido?, afirmou Reis.
A posição confortável de caixa da companhia deve ser um fator favorável para aquisições, especialmente se a empresa levar adiante a esperada abertura de capital do seu negócio de mineração, que foi segregado dos demais no ano passado. Outra opção seria a venda de uma fatia da mina de Casa de Pedra, nos mesmos moldes da venda de 40% da Namisa, o que também deixaria a CSN em boas condições para fechar um negócio em outra área.
Até o momento, todas as tentativas de internacionalização da empresa foram frustradas, mas a cada dois ou três anos a siderúrgica toma algum passo neste sentido. ?Os radares estarão ligados?, disse. Segundo o analista da Corretora Geração Futuro, Rafael Weber, não será fácil para a CSN encontrar um ativo tão atraente como a Cimpor, que está exposta a vários mercados emergentes, mas ele considera que esta é uma das principais áreas estratégicas para a companhia.
Segundo ele, o mercado cimenteiro é interessante porque é mais estável do que a siderurgia e não sofre competição com material importado. Apesar da expectativa de que a CSN possa voltar a se movimentar sobre ativos de cimento, os analistas ainda defendem que a companhia aposte no setor de minério de ferro. Esta percepção deve fazer com que o fim da negociação com a Cimpor tenha um efeito positivo sobre as ações da CSN no curto prazo.
?A melhor opção para a CSN continua a ser a mineração?, disse Reis. A meta de atingir a produção de 100 milhões de toneladas de minério de ferro por ano colocaria a CSN entre os principais produtores mundiais de minério de ferro, insumo que deve apresentar déficit de oferta nos próximos anos. Os ativos nesta área garantem à CSN as maiores margens do setor siderúrgico devido ao baixo custo de produção.
De acordo com o analista Eduardo Roche, da Modal Asset, seria mais vantajoso para a siderúrgica levar adiante seus projetos já existentes do que partir para a diversificação. ?A empresa está a um passo de ampliar sua capacidade de siderurgia e de mineração?, afirmou. Além dos planos ambiciosos na mina de Casa de Pedra, a CSN também já anunciou a intenção de construir duas usinas de placas de aço para exportação no Brasil, mas ainda não tirou estes projetos do papel.

Agência Estado


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