CSN mantém disputa com Camargo Corrêa pela Cimpor
15/01/2010
Fonte próxima à companhia diz que ?Steinbruch não é de jogar a toalha? e tem caixa para elevar oferta.
A disputa entre a CSN e a Camargo Corrêa pela cimenteira portuguesa Cimpor pode ter um novo “round” nos próximos dias.
Uma fonte próxima à cúpula da CSN foi enfática ontem: “Benjamin não é homem de jogar a toalha”.
Esta fonte relata que embora Steinbruch considere sua oferta inicial de ? 5,75 por ação realizada em 18 de dezembro satisfatória, pois embutia um prêmio de 5% sobre o fechamento do dia anterior, nova proposta pode ser apresentada.
Se concretizada, a nova oferta da CSN pode complicar os planos da Camargo Corrêa, que está em negociações avançadas para aquisição da participação de 17% que a francesa Lafarge possui na Cimpor.
Esta aquisição seria parte da estratégia da proposta de fusão dos ativos em cimentos encaminhados pela Camargo à Cimpor na quarta-feira.
O jornal Diário Económico informou ontem que a negociação entre franceses e brasileiros já estaria concluída. Em comunicado oficial, a Lafarge negou ter fechado o negócio, mas não desmentiu as negociações.
A Camargo, em comunicado encaminhado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal, também não confirmou as negociações. Ontem, a CMVM solicitou mais informações à Camargo sobre suas negociações com a Lafarge.
Apesar de Camargo e Lafarge negarem o negócio, analistas apontam que o mesmo faz sentido para a estratégia das duas empresas.
Isso impediria a entrada de um novo grande player no mercado, a CSN, que poderia obter sinergias com a comercialização conjunta de aço e cimento no mercado internacional. Estratégia que a siderúrgica começou a pôr em prática no Brasil em 2009, com a entrada em operação da CSN Cimentos, que tem capacidade de produção de 2,8 milhões de toneladas anuais.
No mercado, porém, há quem avalie que o negócio entre Camargo e Lafarge pode não ter sido mesmo concretizado.
Para Leonardo Alves, analista de siderurgia e mineração da Link Investimentos, a Lafarge talvez não queira bater o martelo sem antes dar à CSN a chance de contraproposta.
“É possível que Camargo Corrêa e CSN entrem numa disputa de preços, elevando as apostas”, diz o analista. O que, obviamente, seria favorável à Lafarge, dona de uma dívida líquida de ? 14,6 bilhões, segundo dados de seu último balanço, do terceiro trimestre de 2009.
Dinheiro para uma investida mais agressiva não falta à CSN, avalia Alves. A companhia ainda tem em caixa parte dos US$ 3,1 bilhões levantados com a venda de 40% de participação na Namisa ao grupo nipo-coreano Big Jump Energy, no final de 2008. E poderá reunir mais capital caso faça uma oferta pública de ações ou venda participação em seus negócios de mineração, o que já anunciou que poderá fazer.
Mas ainda que a Camargo fique com a fatia da Lafarge, há a possibilidade de entrada na Cimpor via ações de minoritários. Como acionista, a Camargo poderia estabelecer uma cláusula de preferência de compra das ações de outros sócios do bloco de controle, mas não das ações que estão em bolsa.
Brasil Econômico