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Crises exacerbam o papel da mineração no crescimento

Notícias Gerais

23/03/2011


Após participar de um dos mais importantes encontros da mineração, o PDAC 2011 – Prospectors and Developers Association of Canada, reafirmo a convicção de que essa indústria é fundamental na sustentação do crescimento econômico mundial.
E isso significa novas oportunidades de negócios com reflexos positivos para os países que têm mineração forte, como o Brasil.
Tomo por base os debates travados entre especialistas de dezenas de nações no PDAC e sua conexão com as grandes questões, como a majoração dos preços dos alimentos, o desemprego elevado em países ricos e as consequências da catástrofe no Japão.
São temas preocupantes, que ocupam espaço privilegiado na agenda do G20, como relatado por seu presidente, Nicolas Sarkozy.
As providências sensatas que devem ser adotadas para buscar soluções a essa agenda desafiadora certamente terão raízes no estímulo à mineração. Um exemplo é a al- ta dos preços das commodities agrícolas, que restringe a oferta de alimentos às populações pobres.
É preciso combatê-la com a multiplicação da produção agrícola, o que exige que o custo de produção permi- ta estabelecer preço ade- quado ao poder de compra do consumidor, esteja ele em regiões miseráveis ou nos “puxadores” da economia global.
Além de terras disponíveis e políticas eficazes voltadas para o campo, há que expandir a oferta de fertilizantes, fabricados a partir de minérios como fosfato e potássio.
Outra providência é o uso do calcário em abundância para a correção do solo. São ações que contribuiriam para aumentar a produtividade agrícola sem expandir o desmatamento nem a consequente emissão de gases de efeito estufa.
Elevar a oferta e baratear os custos da produção de minérios também está relacionado tanto ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) brasileiro quanto à reconstrução do Japão, dos territórios líbios e a urbanização crescente da China.
Esses projetos preveem uso intensivo de minério de ferro, bauxita (base de fabricação do alumínio), cobre, agregados para a construção civil (areia, brita e cascalho) e tantos outros.
O Brasil, por meio de sua indústria mineral, poderá tirar muito proveito em termos de negócios e geração de divisas ao se capacitar a fornecer os minérios que seu mercado interno e os demais países necessitam para construir seu crescimento.
Infelizmente, o debate nacional relacionado à mineração é pífio, carente de maior interesse por parte do poder público e do próprio setor privado.
Confunde-se equivocadamente o desempenho isolado de grandes corporações minerais com o do setor como um todo.
Um grave erro que põe em risco o desenvolvimento da indústria da mineração no Brasil, em um dos melhores momentos da história desse setor.

PAULO CAMILO VARGAS PENNA é diretor-presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).

Paulo Camillo Vargas Penna – Publicado na Folha de São Paulo


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