Credit escolhe Gerdau como top pick de siderurgia, visando braço de mineração
27/02/2012
Apesar de ser a preferida do setor siderúrgico por causa de sua exposição doméstica e das boas perspectivas do negócio de mineração, o Credit Suisse resolveu cortar o preço-alvo para as ações da Gerdau (GGBR4), de R$ 24 para R$ 21,50. O potencial teórico de valorização foi reduzido para 20,92% ante o fechamento de 24 de fevereiro.
A recuperação do volume de vendas do aço deve ser, de acordo com o relatório dos analistas Ivano Westin e Carlos Louro, de um patamar entre 8% e 10% no Brasil, de cerca de 10% na América Latina como um todo, e entre 5% e 6% na América do Norte. A siderúrgica tem recomendação de outperform, ou desempenho acima da média do setor, por ter maior controle de custos e lidar com um insumo menos volátil.
Demanda em altaA demanda interna deve apresentar crescimento principalmente por conta do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), dos projetos de habitação, dos grandes eventos esportivos – Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016. A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para importados também deve aumentar a procura de montadoras por aqui pelo produto da Gerdau.
Na América Latina, essa expansão virá, segundo o Credit, principalmente de Colômbia, México e Argentina, do setor de construção. Já os norte-americanos devem procurar a empresa para conseguir aço longo principalmente para empreendimentos industriais e não ligados a residências.
Ela também se beneficiará, para o banco, de uma proteção natural por causa de seu portfólio diversificado, e por ter flexibilidade operacional. As mini plantas que ela controla ficam menos sensíveis às quedas de produção. Apesar disso, a pressão sobre os resultados deve vir de margens mais estáveis, ou com aumento reduzido, e da queda no preço da commodity, de aproximadamente 6,5% nos cálculos dos dois analistas.
Mineração é o trunfosDe acordo com o relatório dos analistas Ivano Westin e Carlos Louro, o grande trunfo da Gerdau seria o segmento de mineração. Com sua monetização, o preço-alvo para as ações poderia subir em até R$ 2,90. Os ativos relacionados ao ferro da companhia são estimados em US$ 2,8 bilhões pelo Credit, cerca de 18% do valor de mercado atual da siderúrgica.
São 1,3 bilhão em reservas, uma produção anual de 35 milhões de toneladas e capacidade de transporte em porto de 30 milhões. Além de poder sustentar seu próprio segmento de aço e vender excedentes, sendo acionista da MRS, com 1,3% de participação, ela poderia se beneficiar com tarifas ferroviárias abaixo do valor pago pelo mercado.
InfoMoney