Conheça as oito cidades de Minas que estão na rota do crescimento
23/01/2012
Produção e valorização de bens minerais e do café colocam oito cidades mineiras no ranking das 20 mais do país em saldo comercial. Três entraram na lista no ano passado
Nem a valorização do dólar muito menos o cenário recessivo da economia na Zona do Euro foram suficientes para impedir que Minas Gerais registrasse, em 2011, o maior número de cidades na lista das 20 brasileiras com melhor saldo na balança comercial. Foram oito, contra cinco em 2010. Além da conquista inédita, nenhum outro estado concentra tantos municípios na lista como mostra levantamento do Estado de Minas a partir de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Se juntaram a Itabira, Ouro Preto, Nova Lima, Varginha e Araxá ? que já estavam entre as que exportam mais do que importam ? as cidades de Brumadinho, Itabirito e São Gonçalo do Rio Abaixo. Um dos grandes destaques fica por conta dessa última, que em 2010 ocupava a 105ª posição no ranking e hoje aparece em 14º, entrando para o top 10 mineiro. Boa parte do resultado é conferido ao desempenho da mineradora Vale, que elevou a produção de 2,6 milhões de toneladas para 16 milhões no município.
Mas este não é o único caso de destaque. Nova Lima, que saltou do 12º lugar para a terceira posição no país em saldo comercial ? atrás apenas de Parauapebas (PA) e Angra dos Reis (RJ) ?, praticamente triplicou o valor das exportações no período. Drummond já sabia: se mineiro tem ?oitenta por cento de ferro nas almas?, a valorização do minério foi a locomotiva para expansão dos valores exportados pelos municípios. No ano passado, o preço médio da tonelada ficou em US$ 167,59, 14% superior à média de US$ 146,71 em 2010.
A tendência iniciada em 2010, porém, não deve ser mantida em 2012. ?No fim do ano passado já verificamos certa retração nos preços, o que deve se confirmar este ano, com a questão da crise econômica nos EUA e na Europa. Do jeito que está, caminhamos para preço mais estabilizado?, projeta Alexandre Brito, consultor de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Mas não é só o preço que explica o desempenho extraordinário de São Gonçalo do Rio Abaixo. Segundo o prefeito Raimundo Nonato Barcelos (PDT), a mina da Vale na região é relativamente nova, com operações iniciadas em 2007. ?Ela pode ter atingido no ano passado o pico da produção já que é considerada a maior mina a céu aberto do mundo?, pondera. O reflexo está na arrecadação de royalties que pulou de R$ 56 milhões para R$ 90,8 milhões entre 2010 e 2011, alta de 62%.
Em nota, a Vale informou que “não houve variações significativas nos volumes produzidos e exportados entre os municípios mineiros onde possui operação de 2010 para 2011? como mostra o relatório do MDIC. A explicação para o sobe e desce das cidades que sediam unidades da mineradora pode estar no fato de que, no ano passado, houve ?uma equalização do cadastro de todos os municípios na Secretaria de Comércio Exterior, de forma a retratar a realidade da participação de cada um no total de minério exportado?, afirma a empresa.
Diversificação – Na avaliação de Brito, a mineração é o carro-chefe das exportações não apenas da nova integrante do ranking, como também das demais ? à exceção de Varginha, impulsionada pelo café. O que pode ser bom em anos como 2011, mas buscar a diversificação é essencial para manter a posição favorável no saldo. Ele chama a atenção para o caso de Nova Lima, que tem a pauta mais diversificada.
O prefeito Carlos Roberto Rodrigues (PT), confere atenção especial para as empresas de tecnologia da informação (TI) instaladas no Bairro Vila da Serra. Em São Gonçalo, medidas já estão sendo tomadas neste sentido. ?Tentamos diversificar e hoje já estamos discutindo a instalação de outras empresas de serviços e também uma fábrica de tecidos?, pondera Raimundo.
O desafio, na avaliação do secretário de Fazenda de Brumadinho, Hernane Abdon, escapa da esfera municipal: ?Enquanto não houver reforma tributária para incentivar a instalação de empresas que beneficiem aqui o produto retirado do subsolo, não vamos enriquecer de fato. O minério passa aqui na minha porta todos os dias e vai virar produto na China?, lamenta. O país asiático reafirmou sua posição como principal parceiro econômico do estado, para onde as exportações subiram 43%.
Estado de Minas