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Conflito no Peru pode influir nos preços dos metais

Notícias Gerais

08/12/2011


O nacionalismo para com os recursos naturais é apenas uma das preocupações que tiram o sono dos executivos das mineradoras. Quase todos os dias uma nova barreira tecnológica tem de ser rompida para permitir a extração de novos recursos naturais. E, apesar de os governos encararem com bons olhos o desenvolvimento econômico, muitos projetos novos estão sendo implementados em lugares cada vez mais distantes e mais frágeis do ponto de vista ambiental.
Empresas e governos de países tão longínquos quanto Índia, Indonésia e Bolívia tiveram de enfrentar esse problema. Mas o país no qual ele mais se faz sentir atualmente é o Peru. Depois de 11 dias de protestos contra um projeto de mineração de ouro em Cajamarca, o presidente recém-eleito Ollanta Humala declarou estado de emergência no domingo e enviou o Exército para restabelecer a ordem.
A maneira pela qual o conflito será solucionado terá implicações de amplo alcance. Além de ser o sexto maior produtor mundial de ouro, o Peru é o segundo maior produtor de prata, cobre e zinco. Cerca de US$ 42 bilhões em investimentos estarão ameaçados diante de um mau resultado. Como se prevê que o Peru será a viga mestra do crescimento da oferta mundial de metais nos próximos cinco anos, as consequências dessa perda serão difíceis de neutralizar.
O que está em jogo para Humala também é considerável. A vitória desse coronel de esquerda nas urnas, em junho, desencadeou um movimento de vendas recorde na Bolsa de Lima, puxado por temores de que ele assumiria uma postura semelhante à de Chávez com relação aos agentes econômicos. Desde então, no entanto, ele tentou equilibrar o desenvolvimento econômico com a inclusão social, reduzindo um imposto sobre as mineradoras, mas também prometendo consultar as comunidades sobre projetos que as afetem.
Essa é a posição correta a ser adotada. Mas, na verdade, Humala tinha poucas opções: a produção da economia peruana é dominada pela mineração, e Humala precisa de suas receitas para financiar seu ambicioso programa social.
Sua implementação, no entanto, será difícil. As instituições peruanas são frágeis. O Ministério do Meio Ambiente não tem poder para cobrar satisfações das mineradoras. Nas remotas regiões onde se localizam muitos dos projetos, o governo é, por vezes, totalmente ausente. Além disso, os direitos de propriedade frequentemente são vagos, o que dificulta a interlocução com os donos.
Dirimir os temores locais referentes à exploração e aos estragos exigirá que o governo e as mineradoras atuem em conjunto. Algumas das preocupações práticas podem, certamente, ser atendidas: as mineradoras não costumam mais destruir o ambiente em que operam. Mas elas precisam, além disso, encontrar uma maneira de se envolver com as comunidades locais e convencê-las de que a intromissão será temporária e benéfica para todos.

Valor Econômico


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