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Companhia pode ceder 35% em Guiné

Notícias Gerais

22/09/2011


A Vale deverá seguir o exemplo da Rio Tinto e ceder até 35% de um projeto de minério de ferro de primeira linha ao governo da Guiné, depois que o país africano empobrecido, mas rico em ferro, aprovou um novo código de mineração, este mês. A Vale, a maior mineradora mundial de minério de ferro em termos de volume extraído, aderiu à competição pelo minério de ferro da África ocidental no ano passado, quando formalizou a compra, por US$ 2,5 bilhões, de uma participação no projeto de Simandou, uma jazida que poderá catapultar a Guiné para o segmento dos maiores países produtores de ferro do mundo.
O governo anterior da Guiné cedeu direitos à Vale e à sua parceira minoritária. Mas a posse do projeto pela brasileira está longe de estar esclarecido, uma vez que a Vale e outras mineradoras multinacionais aguardaram o resultado da revisão, pelo governo da Guiné, do código de mineração e sua reavaliação dos contratos já firmados.
Numa indicação sobre as perspectivas da Vale, o Parlamento da Guiné aprovou um código de mineração que cede ao governo participação sem custo de 15% em todos os projetos de mineração. A Guiné tem ainda direito a comprar mais 20% pelo valor de mercado.
A jazida de Simandou, a Rio Tinto e a Vale são decisivas para a emergência da Guiné como grande país produtor de ferro. A Guiné poderá se tornar a terceira maior fornecedora mundial de minério de ferro transportado por via marítima em 2016, com produção de 100 milhões de toneladas anuais, num período em que o “minério de ferro é tão importante para a China quanto o petróleo para os EUA e a Europa”, segundo Christopher LaFemina, do banco de investimento Jefferies. O país já é o maior exportador de bauxita.
No entanto, segundo executivos do setor minerador da Guiné, a Vale tem evitado investir em Simandou e concluir o pagamento de seu contrato, enquanto seus direitos de posse não são claramente definidos. Contatada sobre a questão, a Vale preferiu não comentar.
A Vale detém 51% da SBGR Guinea, que controla a metade norte da concessão de Simandou. Sua sócia minoritária é a mineradora de capital fechado Beny Steinmetz Group Resources. Em abril, a Rio Tinto, que controla a metade sul de Simandou, conquistou direitos de posse bem-definidos. O contrato da Rio Tinto, ao que tudo indica, fixou um modelo para a legislação deste mês.
A Rio Tinto, com sede em Londres, permitirá que a Guiné compre até 35% de seu projeto em várias parcelas, ao longo de 20 anos. Parte dessa participação será transferida gratuitamente, enquanto outra será adquirida a preço de mercado. A Rio Tinto, além disso, pagou cerca de US$ 700 milhões à Guiné em dinheiro para encerrar com acordo conflitos de longa data em torno de questões de licenciamento.
Em julho, quatro meses depois do oneroso acordo da Rio Tinto, um executivo da Vale sugeriu que a empresa poderia obter direitos de posse claros na Guiné por meio de investimentos em programas sociais no país.

Valor Econômico


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