Commodities:Eficiência elevará o consumo de nióbio
18/10/2010
Responsável por 80% da oferta mundial do metal, CBMM investirá R$ 800 mi até 2015 para atender a demandaUsado para aumentar a resistência do aço, metal é visto como solução para problemas modernos importantes
O crescimento da demanda por matérias-primas mais eficientes está colocando os chamados “minerais raros” ou “estratégicos” em evidência.
Os países desenvolvidos demonstram crescente preocupação com a concentração das reservas em determinadas regiões, como a China, que recentemente barrou as exportações de alguns desses itens.
Já no Brasil, que detém 90% das reservas de um metal dessa categoria, a maior preocupação com o ambiente e a necessidade de produzir mais com menos são vistos como uma grande oportunidade de negócios.
A CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) é a principal produtora de nióbio do mundo -metal utilizado para aumentar a resistência do aço. “O nióbio está ligado à solução dos problemas modernos mais importantes”, afirma o CEO da companhia, Tadeu Carneiro.
Dona de reservas com durabilidade estimada em 200 anos, em Araxá (MG), a CBMM, do grupo Moreira Salles, prevê crescimento de 60% nas vendas de nióbio até 2015. O volume deve subir de 62 mil toneladas neste ano para 100 mil toneladas.
As estimativas baseiam-se na baixa adesão ao produto. A demanda pelo nióbio é maior em países mais desenvolvidos tecnologicamente, onde são usadas de 80 a 100 gramas de nióbio para cada tonelada de aço.
A exceção é o Brasil, que usa 100 gramas para cada tonelada de aço. E a grande oportunidade é a China, que, apesar de ser a maior compradora de nióbio do mundo, ainda possui baixo índice, de 25 gramas por tonelada.
“O nosso programa é disseminar o conhecimento para que esse pessoal passe a utilizar a tecnologia”, afirma Carneiro.
Com uma capacidade instalada para produção de 90 mil toneladas de ferro-nióbio por ano, a CBMM investirá R$ 800 milhões nos próximos cinco anos para responder a esse aumento de demanda.
METAL “SUSTENTÁVEL”
Hoje amplamente utilizado pela indústria siderúrgica, a primeira aplicação de nióbio relevante ocorreu na fabricação de gasodutos, na década de 1970. A segunda fase de crescimento significativo ocorreu no início desta década, em resposta à busca por maior produtividade.
Entre 2002 e 2008, a demanda por nióbio aumentou 17% ao ano, em média, segundo Carneiro. “O aço cresceu 6% nesse período. Isso é uma evidência da inserção tecnológica do nióbio na indústria siderúrgica”, diz.
Mas, para ele, o aumento mais significativo ainda está por vir, especialmente devido à preocupação com a sustentabilidade.
O ferro-nióbio pode, por exemplo, ajudar a produzir carros mais leves, que consomem menos combustível.
“Um carro médio tem entre 800 e 1.000 quilos de aço. Se você tira de 100 a 150 quilos do automóvel, ele economiza um litro de gasolina para cada 200 km rodados. Em obras grandes de infraestrutura, você pode, ao usar um aço mais resistente, fazer a mesma estrutura 60% mais leve”, afirma o executivo.
Outro filão de mercado cobiçado pela empresa é o de petróleo e gás, que recebe elevados investimentos no país. “O aço que vai atravessar o pré-sal precisa ser oxidável. Estamos estudando com a Petrobras uma nova solução para esse material que contenha nióbio. É uma fronteira importante.”
Folha de São Paulo