Commodities: Empresas usam resíduo para produzir minério
18/08/2010
Empresas usam resíduo para produzir minério
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Oferta restrita do insumo estimula desenvolvimento de novas tecnologias
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Vale produzirá 2 milhões de toneladas a partir desse processo; Votorantim explora minério de baixo teor
A oferta apertada de minério de ferro e o preço da commodity em alto patamar estão incentivando o desenvolvimento de tecnologias que possibilitem o uso desse recurso natural ao máximo.
Em Carajás, no Pará, a Vale deve produzir neste ano 2 milhões de toneladas de minério de ferro a partir do reaproveitamento do insumo depositado na barragem do Geladinho -lago artificial para depósito dos resíduos.
Depois de tratado, esse minério é adicionado à carga pronta para exportação. Segundo José Carlos Oliveira, coordenador das barragens de Carajás, a mistura não muda a qualidade do produto. “O minério reaproveitado tem o mesmo teor de ferro; ele só é mais fino”, diz.
O custo do projeto foi de R$ 10 milhões. Mas, além de transformar resíduo em receita, a Vale reduz o impacto ambiental de sua atividade.
A recuperação dos resíduos aumentaria a vida útil da barragem em mais de dez anos. “Assim evitamos que novos loteamentos sejam feitos para a construção de novas barragens.”
A preocupação com aumento de produtividade é tendência, segundo o presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Paulo Camillo Penna. “Gestão de resíduo é custo. Utilizar todo o minério é melhor.”
A Usiminas também gera caixa a partir de resíduos. A empresa iniciou, há cerca de três meses, a venda de óxido de ferro para empresas que trabalham com tratamento de água. Segundo Luiz Bernardino, gerente da siderúrgica, o resíduo retém impurezas presentes na água.
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NOVAS FRONTEIRAS
O minério que há pouco tempo era comercialmente inviável também se tornou alvo de investimentos.
A Votorantim Novos Negócios (VNN) trabalha com o grupo chinês Honbridge Holdings em um projeto para explorar minério com baixo teor de ferro na região do Vale do Jequitinhonha.
Lá, o insumo tem 20% de teor de ferro, enquanto o minério de exportação brasileiro chega a 65%. Até então, o minério com menor teor que era explorado no país tinha 40% de ferro.
“Estamos há um ano e meio investindo em tecnologia para tratar o minério e tornar essa exploração viável”, diz Haroldo Fleischfresser, diretor da VNN.
A participação dos chineses para o sucesso do chamado Projeto Salinas é importante pela sua experiência em explorações desse tipo. “Na China, lavra-se minério com até 10% de teor”, diz.Em laboratório, a VNN já conseguiu obter 65% de teor de ferro para esse minério, segundo Fleischfresser.
O desafio é fazer esse processo a um custo baixo. Por isso, o projeto será integrado, com construção de mineroduto e porto, para reduzir gastos com logística.
O custo de processamento do minério com teor de 20% é cerca de 50% maior do que em um processo com minério de teor de ferro de 40%.
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Folha de S. Paulo