Com volatilidade dominando cenário internacional, ouro é melhor investimento do mês
02/07/2010
Com o cenário internacional ainda dominado pela volatilidade, em meio a temores acerca dos efeitos da crise europeia nas principais economias do mundo, o ouro ficou com o posto de melhor investimento de junho. A commodity, vista como uma opção segura de investimento, novamente se beneficiou da maior aversão ao risco e fechou o mês com ganhos nominais de 2,78%.
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Considerando os ganhos reais ? ou seja, descontando o IGP-M (Índice Geral de Preços ? Mercados), que marcou alta de 0,85% no mês ? o ouro foi a única opção entre as principais métricas de investimento a conseguir ficar no campo positivo, com variação de 1,91%.
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Em meio a tanta volatilidade, as alternativas de renda fixa apareceram entre as melhores opções do mês, deixando para trás a renda variável e o dólar. A aplicação em CDBs pré-fixados de 30 dias garantiu retorno nominal médio de 0,83% em junho, pouco acima do benchmark CDI (+0,79%). A caderneta de poupança, por sua vez, apresentou retorno nominal de 0,56% em junho.
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Já o dólar acompanhado pela variação da Ptax ? melhor investimento de maio ? encerrou o mês com rentabilidade nominal negativa em 0,84%. Vale mencionar que o dólar comercial encerrou o período com queda de 0,93%. No ano, contudo, a divisa norte-americana acumula alta de 3,61%.
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Foi a primeira alta semestral desde a segunda metade de 2008, quando, em meio ao agravamento da crise financeira global, a divisa norte-americana valorizou-se 46,34%. De lá pra cá, a moeda declinou 16% e 11,3% no primeiro e segundo semestres de 2009, respectivamente.
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Por outro lado, o Ibovespa angariou novamente o posto de pior investimento do mês, repetindo o resultado de maio e abril. Apesar disso, as perdas foram muito menores ? enquanto em maio o índice recuou 6,64%, este mês a queda foi de 3,35%. O recuo também foi mais ameno do que o visto nos principais índices norte-americanos.
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Boas notícias, mas Europa segue em foco
Nos EUA, o Fomc (Federal Open Market Committee) optou mais uma vez pela manutenção do juro básico do país no intervalo entre 0% e 0,25% ao ano ? sem surpresas. Repercutiu também o PIB norte-americano do primeiro trimestre, que mostrou avanço de 2,7%.
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O PIB brasileiro também foi notícia no mês. O produto brasileiro avançou 2,7% no primeiro trimestre de 2010 em relação aos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo período de 2009, o indicador registrou crescimento de 9%. Depois disso, UBS, Barclays, Morgan Stanley, o ministério da Fazenda e o Banco Central elevaram as projeções para o PIB do País.
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Ainda sobre o Brasil, o Copom elevou a taxa Selic em 75 pontos-base, levando a taxa básica de juro brasileira para 10,25% ao ano. A ata da autoridade monetária mostrou uma maior preocupação com a inflação.
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Apesar das boas notícias, a Europa seguiu no foco dos investidores, trazendo forte volatilidade ao mercado. O Reino Unido anunciou medidas de combate à crise fiscal, com criação de novos impostos e redução das projeções de crescimento, enquanto a França planeja um corte de ? 100 bilhões em seu déficit orçamentário até 2013. Além disso, a Moody?s cortou o rating Grego, além de colocar a nota espanhola em revisão para possível rebaixamento.
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Os investidores também se mantiveram atentos à China no período. O PBoC (Banco Popular da China) anunciou a retomada do processo de flexibilização monetária chinesa, já implantado entre 2005 e 2008. Já na última semana do mês, o país asiático mostrou que o seu Leading Indicators, que reúne alguns dos principais dados econômicos do país no mês de abril, cresceu 0,3%, em vez da expansão de 1,7% divulgada anteriormente.
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Vale e Eletropaulo nas pontas do Ibovespa
Os papéis ordinários da Vale (VALE3) lideraram as perdas do Ibovespa no período, com recuo de 12,70% no mês. Além disso, as ações preferenciais da mineradora (VALE5) e os papéis da Bradespar (BRAP4) ? um dos principais acionistas da Vale – também aparecem na ponta vendedora do índice.
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Apesar do impulso ganhado pelos ativos ligados a commodities com a decisão da China de permitir a flexibiliação do yuan, que foi vista como bastante positiva para as mineradoras, e da elevação dos ratings da empresa pela Fitch, a última semana do mês foi de grande desvalorização para os papéis. O movimento acompanhou o recuo dos materiais básicos no período, em resposta a novos temores sobre Europa e China, cujo ritmo de recuperação abaixo do esperado poderia diminuir a demanda por commodities.
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Na ponta positiva do índice, por sua vez, aparecem os ativos da Eletropaulo (ELPL6), com alta de 16,75%. Além de ser conhecida como uma empresa tradicionalmente defensiva – ou seja, uma opção para fugir da volatilidade dos mercados – a companhia também foi beneficiada por uma forte alta no início do mês, impulsionada por um anúncio de mudanças societárias.
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A elétrica anunciou que deverá alcançar um efeito contábil positivo de R$ 167 milhões no lucro do segundo trimestre devido à incorporação da subsidiária Eletropaulo Telecomunicações por sua holding controladora, a Brasiliana. O negócio segue as determinações de uma lei que proíbe concessionárias de serviço público de distribuição de energia de deter participação societária em outros setores.
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