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Com saldo de US$ 33 bilhões, mineradoras ganham com dólar alto

Notícias Gerais

26/09/2011


A escalada do dólar frente ao real tende a beneficiar o caixa das mineradoras atuantes no Brasil, que devem emplacar neste ano um saldo comercial de US$ 33 bilhões, de acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

A cifra considera exportações de US$ 43 bilhões e importações de US$ 10 bilhões de dólares e supera em cerca de 20% o saldo mineral registrado no ano passado. “O aumento do dólar favorece muito positivamente as empresas do setor, que tem receita atrelada ao dólar”, afirmou o presidente do Ibram, Paulo Camillo Penna nesta sexta-feira. “Nesta projeção estamos extremamente conservadores, considerando este período de instabilidade econômica”, disse, ele, em entrevista à Reuters.

Como as vendas das mineradoras são atreladas ao dólar, elas costumam ser contempladas por um automático aumento na receita em momentos de alta da moeda americana porque seus produtos se valorizam. O saldo entre exportações e importações do setor mineral no País vai superar pela segunda vez o saldo da balança comercial brasileira, projetado em US$ 27 bilhões para este ano.

Com exportações de US$ 35,7 bilhões lideradas pela Vale, o minério de ferro será responsável por 82% do saldo positivo do setor mineral. Em seguida, em ordem de importância nas exportações líquidas, estão nióbio e ouro, com vendas externas da ordem de US$ 2 bilhões cada.

Por outro lado, carvão mineral, potássio e cobre são os itens que mais pesaram contra o saldo mineral, com importações totais de US$ 5 bilhões. O Brasil tem projetos em andamento que podem reduzir a dependência externa em potássio e cobre.

O saldo do setor de mineração será equivalente a 143% do resultado da balança comercial brasileira, se as projeções do Ibram se concretizarem. No ano passado, o porcentual atingiu 136% do saldo da balança comercial.

Em 2009, quando o setor ainda amargava sequelas da crise financeira iniciada no ano anterior, o saldo do setor mineral representou 50% do saldo da balança comercial brasileira. Em 2008, o porcentual foi de 53% e, em 2007, 25%.

Na próxima semana, representantes do setor vão se reunir no 14º Congresso de Mineração, em Belo Horizonte, onde pretendem debater os rumos da atividade no Brasil e no mundo. “Uma queda no consumo dos bens minerais é bem improvável, pois o cenário é de demanda em alta e oferta apertada”, antecipou Penna.

De acordo com o representante das mineradoras, os preços do minério de ferro, não serão afetados pela crise. Outros metais, como cobre, podem ter seus preços afetados, mas a alta do dólar está compensando este movimento para as mineradoras atuantes no País.

Penna destaca ainda que muitos contratos são de longo prazo, o que permite manter volumes de exportação, independentemente da volatilidade do dólar e dos preços das commodities.

Reuters


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