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Com Amorim, Hillary insinua que o Irã está ludibriando o Brasil

Notícias Gerais

04/03/2010


Secretária de Estado diverge de posição brasileira em relação ao programa atômico iraniano e à Venezuela
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Brasil e EUA evidenciaram ontem suas divergências em temas como o programa nuclear iraniano e a democracia na Venezuela. Após de três horas de conversa com o chanceler Celso Amorim, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, insinuou à imprensa que o Irã está manobrando o Brasil, a Turquia e a China, e defendeu novas sanções contra Teerã.
Como sinal de que não se dobraria à pressão, Amorim insistiu em uma solução negociada e rejeitou a ideia de que o Brasil estaria sendo “enrolado” pelo Irã. O chanceler ouviu ainda o lobby da secretária em favor dos caças F-18 Super Hornet, da americana Boeing (mais informações na pág. A18).
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“Estamos observando que o Irã vai ao Brasil, à Turquia e à China e conta histórias diferentes para cada um. Pessoalmente, acredito que só depois de passarem as sanções no Conselho de Segurança da ONU (é que) o Irã vai negociar de boa-fé”, afirmou Hillary Clinton.
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Amorim rebateu: “É possível ainda encontrar uma solução com base nos mesmos conceitos e nas mesmas ideias e preocupações que inspiraram o acordo? A nossa avaliação é que sim”, disse, referindo-se ao acerto que prevê a troca de urânio iraniano por combustível nuclear. “Temos a visão de que, de modo geral, as sanções têm efeitos contraproducentes.”
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Horas antes do encontro de Hillary com Amorim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou da posição brasileira em relação à questão nuclear iraniana: “Não é prudente encostar o Irã na parede. É preciso estabelecer negociações. Quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: usar energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã for além disso, não poderemos concordar.”
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Em missão de convencer o Brasil a afinar sua posição com a de cinco potências (EUA, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha) e apoiar sanções, Hillary alertou o governo brasileiro sobre o fato de que, em um momento próximo, a decisão sobre o Irã terá de ser tomada. Com isso, deixou no ar a responsabilidade do Brasil por sua posição.
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Diante da imprensa, a secretária de Estado tentou derrubar as principais teses que mobilizam o Itamaraty para uma solução negociada. Defendeu que o Irã tornou-se uma força desestabilizadora no Oriente Médio e afirmou ainda ser “evidente” a determinação do Irã em produzir armas atômicas.
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A número 1 da diplomacia americana insistiu que os EUA, assim como o Brasil, também preferem a negociação com o regime persa. Mas completou que o Irã manteve a sua porta fechada para a solução diplomática. Por fim, lembrou que as sanções constituem uma saída “pacífica”.
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Apesar do cuidado de não deixar escapar nenhuma nesga de flexibilização da posição brasileira, Amorim lembrou que “nunca” informou como o Brasil vai votar no Conselho de Segurança da ONU. Mas insistiu que o acordo de troca de urânio iraniano por combustível nuclear terá o mérito de permitir ao país o enriquecimento do minério em baixos teores, para fins pacíficos. “Será uma perda se o Irã desperdiçar essa oportunidade.”
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VENEZUELA
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A divergência entre Brasil e EUA sobre o regime do presidente venezuelano, Hugo Chávez, também ficou evidente. À imprensa, Hillary declarou que o governo venezuelano “mina as liberdades” de seus cidadãos e, com isso, prejudica também os países vizinhos.
Ela advertiu ainda que é preciso haver a restauração da democracia e das regras de mercado no país, que deveria “olhar um pouco mais para o Sul e seguir os exemplos do Brasil e do Chile”.
Amorim agarrou-se a essa abordagem de Hillary para marcar a diferença de posição do governo brasileiro, que considera a Venezuela como uma democracia plena. “Concordo que a Venezuela tenha de se integrar mais com o Sul. Por isso, integramos a Venezuela ao Mercosul, o que será positivo em todos os sentidos”, afirmou o chanceler.
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O Estado de São Paulo


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