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China expande investimentos em commodities na Argentina

Notícias Gerais

17/06/2011


Investimento chinês na América Latina atingiu US$ 15,6 bilhões durante o período de 12 meses encerrados em maio, quase três vezes maior do que no ano anterior
BUENOS AIRES – O investimento chinês na Argentina vem se expandindo, na medida em que o país asiático busca matérias-primas usadas na indústria e alimentos para seus 1,3 bilhão de habitantes. O investimento da China na América Latina atingiu US$ 15,6 bilhões durante o período de 12 meses encerrados em maio, quase três vezes maior do que no ano anterior, de acordo com relatório da consultoria Deloitte. Deste total, o Brasil recebeu 60% e a Argentina quase 40%.
Durante os últimos três anos, mais de 70% do investimento da China na região foi para energia e minerais, mas a agricultura está atraindo mais a atenção do país que busca se expandir em terras estrangeiras. A China já é destino da maior parte da soja exportada pela Argentina – principal cultura e maior receita com exportação dos argentinos. A soja é usada principalmente como ração na China, onde o consumo de carnes está crescendo, conforme aumenta também a renda pessoal. Ao mesmo tempo, a urbanização na China vem diminuindo as áreas de terras cultiváveis.
Na semana passada, a maior companhia agrícola da China, a Heilongjiang Beidahuang Nongken Group, fechou acordo para formar joint venture com a argentina Cresud, visando a comprar terras e lavouras de soja. A Cresud é uma das maiores empresas de agricultura da Argentina e controla mais de 1 milhão de hectares de terras, nas quais produz grãos, gado e leite.
O presidente da Heilongjiang Beidahuang, Sui Fengfu, afirmou em março que a companhia planeja comprar 200 mil hectares de terras em outros países neste ano, e que a América Latina é o principal alvo. A companhia já cultiva 2 milhões de hectares fora da China. A Heilongjiang Beidahuang também está investindo US$ 1,5 bilhão para arrendar e desenvolver fazendas em 300 mil hectares na província argentina de Rio Negro. Em um período de cinco a dez anos, a companhia planeja produzir e exportar para a China trigo, milho, soja, frutas, vegetais e uvas para vinhos.
Os acordos com a Cresud e no Rio Negro parecem ser uma alternativa para contornar as medidas na Argentina contrárias à compra de terras por estrangeiros. A presidente Cristina Kirchner apresentou lei que limita as compras de terras por companhias e indivíduos estrangeiros a 1 mil hectares em áreas rurais.
Outros setores
A incursão da Heilongjiang Beidahuang na agricultura ocorre na esteira de pesados investimentos de chineses no setor petrolífero da Argentina. Em fevereiro, a Occidental Petroleum vendeu seus ativos locais para a China Petroleum & Chemical por US$ 2,5 bilhões. No ano passado, a chinesa Cnooc, em parceria com a argentina Bridas, fechou a compra de participação de 60% da Pan American Energy, da BP PLC, por US$ 7,1 bilhões.
A caça da China às matérias-primas também chegou à mineração, com a MCC Minera Sierra Grande, unidade da estatal chinesa China Metallurgical Group. Ela comprou a mina de ferro Sierra Grande na província de Rio Negro em 2006. A mina, que estava fechada desde 1991, enviou a primeira carga de minério de ferro concentrado para a China em fevereiro deste ano.
A Deloitte prevê que o investimento da China continue chegando à América Latina, mas espera uma diversificação no futuro para outras indústrias, como manufatura, infraestrutura e finanças. Embora esteja crescendo exponencialmente, o investimento da China ainda representa uma parcela relativamente pequena do total de investimento estrangeiro direto (IED) na região. O IED na América Latina cresceu 40% em um ano, para US$ 113 bilhões em 2010, e a expectativa é de que aumente de 15% a 20% neste ano, de acordo com a Comissão Econômica das Nações Unidas para América Latina e Caribe. As informações são da Dow Jones.

O Estado de São Paulo


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