China exige corte acima de 10% no minério da Vale, diz executivo
20/02/2009
A mineradora brasileira Vale mantém a proposta feita no final de janeiro de corte de 10% no preço do minério de ferro nas negociações de preço com a China, mas as siderúrgicas continuam exigindo redução maior, informou o presidente da Associação das Minas de Metalurgia da China, Zou Jian, à agência Dow Jones, em entrevista por telefone. Segundo ele, a Vale está pronta para assinar um acordo de preço “imediatamente” se os chineses aceitarem a oferta. “Mas ninguém quer aceitar a proposta”, acrescentou Zou, que também é diretor da Associação de Ferro e Aço da China (CISA, em inglês). Segundo Zou, a BHP Billiton e a Rio Tinto ainda têm de apresentar uma oferta de preço. No dia 21 de janeiro, um analista do segmento com fontes na Baosteel informou à Dow Jones que a Vale havia sugerido um corte de 10% no preço do minério. Zou afirmou ainda que talvez a Vale feche um acordo com as siderúrgicas japonesas e com as europeias primeiro, estabelecendo uma referência de preço para as chinesas. “É uma possibilidade, já que a Vale está mais ansiosa para chegar a um acordo” do que outros produtores, ressaltou o executivo. As siderúrgicas chinesas, lideradas pela CISA e pela Baosteel, a produtora de aço do país, estão em negociações de preço para os contratos de aquisição de minério de ferro para 2009-2010 com a Vale, Rio Tinto e com a BHP Billiton.
Um corte de 10% no preço do minério da Vale em relação aos contratos do ano passado podem implicar reduções ainda maiores nos preços do minério oferecido pela BHP e pela Rio Tinto, que no ano passado negociaram preços superiores aos da Vale. “Eles esperam que os preços do aço se recuperem, mas isso não parece provável”, disse Zou, observando que a queda nos preços este ano seja “ampla”. “É razoável acreditar que haverá um corte de entre 30% a 50% nos preços”, disse. Ainda, o executivo prevê que as negociações serão longas, diante do enfraquecimento na demanda e do desejo das siderúrgicas de aproveitar as fracas condições do mercado para forçar cortes expressivos nos preços. “Não será rápido”, estimou o executivo, sem oferecer, entretanto, uma projeção de tempo.
Assim como Shan Shanghua, o secretário-geral da associação, Zou reiterou que a China não aceitará um “prêmio de embarque”, que no ano passado criou uma premissa, permitindo à Rio Tinto e à BHP Billiton elevarem os preços à média de 85%, acima do aumento de 65%-71% em relação ao preço do minério oferecido pela Vale. Na ocasião, as mineradoras anglo-australianas argumentaram, com sucesso, que a commodity australiana, geograficamente localizada próximo à China, custa menos para embarcar e por isso merecia um prêmio sobre o preço do minério da Vale. Após a Rio Tinto e a BHP Billiton terem assegurado preços maiores, a Vale buscou obter aumento intermediário de mais 10% nos preços.
Agência Estado / Brasil Infomine