CBMM inicia produção de terras-raras em Araxá
23/05/2012
A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) anunciou ontem que começou a produzir concentrados refinados de terras-raras em sua fábrica em Araxá (MG). A empresa é líder mundial na produção de nióbio e desenvolveu um método que diz ser inédito no mundo no qual usa o rejeito gerado por essa atividade para extrair as terras-raras. A fábrica-piloto que já está em operação tem capacidade para produzir 1.000 toneladas de concentrados por ano, mas poderá chegar a 3 mil. O total de investimentos nessa primeira fase das pesquisas e produção é de R$ 50 milhões.
As terras-raras são elementos químicos em alguns minerais usados na indústria de ponta e para a fabricação de bens de alto conteúdo tecnológico, como telas de LCD, catalisadores, magnetos. O mercado é dominado pela China, que fornece 97% da demanda mundial, hoje em torno de 150 mil toneladas anuais. Ásia – principalmente a própria China -, Europa e EUA são os maiores consumidores.
Os derivados mais elaborados e com o maior valor agregado são os óxidos puros. A CBMM, empresa do grupo Moreira Salles, chegou na etapa anterior à da produção desses óxidos. Do rejeito do nióbio, está fabricando sulfato duplo de terras-raras e hidróxido de terras-raras – produtos que também são comercializáveis, mas que tem valor inferior aos óxidos, como, por exemplo, o óxido de neodíneo, de praseodímeo, entre outros. O Brasil não produzia, até então, o sulfato duplo e o hidróxido.
“O grande obstáculo tecnológico era chegar até aqui. Daqui para frente é uma tecnologia conhecida, publicada. Agora é uma questão de investimento e de mercado”, disse ao Valor Tadeu Carneiro, diretor-geral da CBMM. Ele fez o anúncio desse projeto num evento na cidade à noite. “A passagem, do minério para o concentrado, é o que muita gente e muito pouca gente consegue.” A mina da CBMM em Araxá é de pirocloro, que tem como um dos minerais a monazita, que é um dos minerais que contém terras-raras.
Mas o que a empresa considera ainda mais relevante é a forma como conseguiu extrair as terras-raras. “Isso aqui [apontando para um tubo com o sulfato, um pó branco, e o hidróxido, um pó amarelo] é feito com o rejeito do processamento do nióbio. Ou seja, não é preciso fazer um investimento na abertura de nova mina para extrair terras-raras aqui na CBMM. O rejeito depositado na barragem é tratado para se converter nesse concentrado”. Em outras palavras, o mineral é subproduto da sua produção de nióbio, ao contrário de outros empreendimentos, que precisam abrir uma mina, disse o executivo.
Segundo ele nenhuma empresa no mundo produz concentrados de terras raras de rejeito. “Não tem hoje no mercado quem faça isso. Isso é único. Daí a inovação.”
Como maior fornecedora mundial de terras-raras, a China deu um susto nos grandes consumidores quando há alguns anos começou a reduzir os volumes de exportação do produto para aumentar sua oferta doméstica. O episódio chegou a provocar um estremecimento diplomático com o Japão. Desde então, com o objetivo de encontrar alternativas aos fornecedores chineses, pipocaram projetos para explorar e produzir terras-raras pelo mundo. São hoje mais de 400 em curso. Os preços oscilaram, mas a demanda permanece.
Em 2011, um consórcio chinês comprou 15% da CBMM e outros 15% já haviam sido vendidos antes a grupos do Japão e da Coreia do Sul. Nenhum dos novos sócios opera com terras-raras, diz.
Segundo Carneiro, a CBMM está em fase de conversação com potenciais compradores de sua produção de sulfato e hidróxido de terras-raras. A empresa diz que ainda não tem uma estimativa de quanto pode faturar com a venda futura dessa produção. “Agora, vem um estudo para fazer virar negócio. Até aqui foi investimento em capacitação tecnológica”.
Valor Econômico