Carga cativa é âncora de projeto
30/05/2011
O grupo EBX está investindo R$ 5,2 bilhões em dois mega projetos portuários privativos, o Superporto do Açu, de uso misto, que está consumindo R$ 3,4 bilhões, e o do Sudeste, dedicado a exportação de minério da MMX e outras empresas, que está demandando R$ 1,8 bilhões, ambos com previsão de início de operação em 2012. Com um modelo de integração vertical que visa criar sua própria demanda, Açu terá dois terminais, com 17 km de píer, 40 berços de atracação e um complexo industrial.
“Trata-se de um porto com carga cativa, ou seja, boa parte da carga terá sua origem ou seu destino no próprio porto, diz Valdir Dallorto, diretor comercial da LLX, o braço de logística do grupo EBX que administra o porto. O objetivo é atender empresas que precisam ter suas atividades industriais localizadas nas proximidades da logística portuária.
Em construção desde 2007, o Superporto do Açú, localizado em São João de Barra, norte fluminense, já consumiu R$ 1,7 bilhão e deve iniciar as atividades no final de 2012 pelo terminal TX1, que tem uma ponte offshore de 3 km com três píeres e nove berços. O TX2 deverá começar a operar no início de 2013 e será um terminal onshore.
;Para não ter de partir do zero, a LLX negocia com aproximadamente 70 empresas potencialmente interessadas em se instalar no complexo industrial e movimentar cargas no porto. Entre elas, a Wuhan Iron and Steel Co. (Wisco), terceira maior siderúrgica da China, que trabalha para obter o licenciamento ambiental para iniciar a construção de uma planta com capacidade inicial para produzir 5 milhões de toneladas por ano. O investimentos é da ordem de US$ 5 bilhões.
Outro projeto do grupo EBX é o Superporto Sudeste. Trata-se de um terminal portuário privativo, dedicado à movimentação de minério de ferro, localizado na Ilha da Madeira, no município de Itaguaí (RJ). A MMX já tem, inclusive, um acordo de operação portuária com a Usiminas para o embarque de até 12 milhões de toneladas anuais até 2016.;
Com profundidade de 20 metros e estrutura offshore, com dois berços para atracação, o Superporto Sudeste demanda investimentos de R$ 1,8 bilhão. Inicialmente, o empreendimento terá capacidade para movimentar 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, que será expandida para 100 milhões numa segunda fase. A construção foi iniciada em julho do ano passado e a previsão é de a operação ser iniciada em 2012, com o embarque de 6 a 7 milhões de toneladas da MMX e 4 milhões de toneladas da Usiminas, segundo Luciano Ferreira, diretor de operações portuárias.
;Embora tenha o mesmo perfil – escoar a produção das mineradoras do quadrilátero ferrífero de Minas Gerais – do terminal de minério que a Companhia Docas do Rio de Janeiro pretende licitar até o final do ano, na região entre os terminais da Vale e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), o Sudeste tem objetivos diferentes e uma posição mais consolidada, segundo Ferreira.
“O Sudeste é um porto privativo para escoar a produção própria da MMX e oferecer a capacidade excedente para outras empresas, como a Usiminas, com a qual firmamos um contrato de cinco anos, renovável por igual período”, diz Ferreira, ressaltando que o terminal de minério da
Companhia Docas do Rio de Janeiro não passa de um projeto. “O Sudeste, por outro lado, é uma realidade que já nasce com potencial para escoar 24 milhões de toneladas de nossas minas em Serra Azul, 10 milhões de Bonsucesso e 12 milhões de nossa parceira, a Usiminas”, explica.
Além da Usiminas, a LLX negocia com outras empresas da região ferrífera de Minas Gerais, onde atuam companhias como a Arcelor Mittal e a Gerdau, além de uma série de empresas familiares. Toda a movimentação de minério de ferro no Superporto Sudeste será feita por ferrovia. Para isso, serão construídos, a partir da linha principal da MRS, um ramal de 2,3 km até o porto e uma pêra ferroviária – linha férrea em formato de pera, utilizada para a realização dos trabalhos de descarregamento dos vagões e manobra dos trens.
Valor Econômico