Canadesense MBAC Fertilizer investe US$ 200 milhões em projeto no Brasil
23/09/2010
A MBAC Fertilizer Corp., empresa canadense com capital pulverizado na Bolsa de Toronto, está investindo US$ 200 milhões no Brasil, num projeto de fertilizantes para produzir 500 mil toneladas anuais de superfosfato simples, informou Antenor Silva, presidente executivo da companhia. Os investidores canadenses e brasileiros acionistas da MBAC criaram a Itafós Ltda, subsidiária 100% da MBAC para operar o projeto denominado Arraias. O projeto está localizado no município de Arraias, na divisa de Tocantins com Goiás e Minas Gerais.
A MBAC projeta outros investimentos no país e tem planos de concentrar aqui seus ativos, todos na área de fertilizantes. Além do investimento no Centro-Oeste, a MBAC investe também em pesquisas geológicas de fosfato no Pará, Bahia e Minas Gerais. A empresa está dando partida ainda em uma pesquisa de potássio submarino no litoral de Sergipe.
“Selecionamos um local na costa brasileira e estamos desenvolvendo um projeto para explorar potássio no fundo do mar. Já temos o alvará de pesquisa e agora vamos furar o local. O propósito é extrair o potássio usando o sistema mining solution (mineração por solução) que até hoje é feito em terra. Mas vamos ousar adaptá-lo no mar”, disse Silva.
Segundo o executivo, a mineração por solução submarina é feita através de uma plataforma, como petróleo off-shore. A ideia é bombear o potássio do fundo do mar injetando uma solução no local onde tem o produto. O potássio se desprende do fundo do mar e é trazido à tona e recuperado na costa.
Silva informou que esta exploração submarina do potássio está sendo feita pela MBAC no Brasil pela primeira vez e é uma novidade. “Mas, por enquanto, estamos indo devagar, pois nossa prioridade é o investimento da Itafós”.
A estrutura para financiar o projeto de produção de superfosfato simples da Itafós vai requerer 35% de recursos próprios da MBAC. Os 65% restantes serão financiados pelo BNDES e outros bancos.
A pesquisa geológica em Arraias começou em outubro de 2008. O estudo de viabilidade foi aprovado este mês pelo conselho da empresa e Silva espera obter as licenças ambientais até dezembro e começar a construção e exploração da mina em janeiro de 2011. A entrada em operação do projeto deve acontecer em meados de 2012.
Os canadenses vão produzir para o mercado brasileiro, especificamente para o do Centro-Oeste, região que mais cresce. “Vamos fornecer nosso produto principalmente para a nova região denominada de Mapito que inclui o sul do Maranhão, sul do Piauí, Tocantins e Oeste da Bahia”. A MBAC acredita que esta é uma oportunidade única, pois o fertilizante a ser produzido pela Itafós e Arraias vai facilitar a logística, já que é perto do centro produtor dos agricultores da região onde está a mina.
O presidente executivo da MBAC não teme a concorrência da Vale, que está se expandindo na produção de fertilizantes no Brasil. “É um concorrente duro, porque é grande, mas por outro lado temos duas vantagens de ter a Vale no setor: temos uma empresa de porte com estrutura que quer crescer e por esta razão não vai aviltar os preços do produto e, segundo, no nosso caso específico temos uma proteção de estar junto dos agricultores. Estamos mais próximos do cliente final do que outros produtores. A logística, nesse caso, é uma proteção natural”.
Silva planeja dobrar a produção da Itafós de 500 mil toneladas para 1 milhão de toneladas até 2015, pois o cenário que desenha é de alta dos preços dos fertilizantes no médio e longo prazo.
Valor Econômico