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Câmbio assusta, mas setor aposta em Copa e Olimpíada

Notícias Gerais

28/01/2011


A supervalorização do real em relação ao dólar e o consequente encarecimento dos produtos brasileiros no exterior é uma preocupação geral entre os empresários do setor de rochas ornamentais do sul do Espírito Santo, mas o presidente do Sindirochas, Emic Costa, enxerga boas perspectivas para o setor neste e nos próximos anos. Primeiro; pela dinâmica positiva do mercado interno; em segundo lugar, “pela diversidade de produtos existente no Brasil, o que garante competitividade, mesmo com o câmbio desfavorável”.
Para a continuidade do processo de recuperação, Costa conta ainda com a demanda que será gerada pela Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016. “Há um grande movimento na construção civil e isso alimenta os investimentos.” Ele não esconde a preocupação com a concorrência de outros países. Além da China, ele elenca a Turquia, a Índia e alguns países africanos como concorrentes perigosos. “A Europa não, tem custos muito altos”, descarta.
Tanto Costa como os empresários ouvidos pelo Valor em Cachoeiro reclamaram também de dificuldades para a importação de máquinas e insumos devido ao regime tributário, que seria protecionista em relação às empresas domésticas, especialmente em relação ao uso do instrumento do “drawback” (permite importar sem imposto insumos para a produção destinada a exportar).
O governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), reclama de uma melhor estrutura do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para agilizar processos de concessão de lavra. Ele quer que a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) prospecte novas possibilidades de produção mineral no Estado. O presidente do Sindirochas reclama de outro problema cada vez mais recorrente na indústria brasileira, a insuficiência de mão de obra capacitada. Segundo ele, embora na região de Cachoeiro de Itapemirim haja escolas do Senai e do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), a formação ainda é insuficiente.
João Batista Dalvi, da Jaciguá Mármores e Granitos, disse que a empresa optou por formar seu pessoal, inclusive subsidiando a participação em cursos de aperfeiçoamento. Gerson Filipe Gabriel, 18 anos, terminou o ensino médio em 2009 e está desde março de 2010 trabalhando como aprendiz de acabador (faz o polimento das bordas das pedras) na Jaciguá, empresa onde seu pai trabalha “há mais de 20 anos”. Ganha cerca de R$ 600 por mês. Entre seus sonhos mais imediatos estão fazer um curso de eletromecânica no Senai e comprar uma moto, uma febre em Cachoeiro de Itapemirim.
No topo da carreira, Thalita Altoé, 24 anos, formada na Faculdade de Direito de Cachoeiro, saiu de um estágio na Caixa Econômica Federal diretamente para a Jaciguá, onde está há sete anos. Ajudada pela fluência em inglês, fez carreira no departamento de comércio exterior da empresa, como executiva de vendas. Já viajou aos Estados Unidos, Itália, África do Sul, Suíça. Este ano irá à China e pretende aprender mandarim. Está na segunda pós-graduação, em gestão internacional de negócios (com ajuda da empresa), depois de ter feito outra em direito trabalhista. Solteira, economiza e estuda. Não pretende sair de Cachoeiro, nem da indústria de pedras. “Aqui, é a área mais rentável”, diz.

Valor Econômico


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