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BTG: contrato trimestral de minério muda paradigma, mas traz volatilidade

Notícias Gerais

31/03/2010


Mais do que refletirem um bom momento para o setor de mineração, as negociações sobre reajuste do preço do minério de ferro estão trazendo um novo paradigma para o segmento. É o que afirma o analista Edmo Chagas, do BTG Pactual, em sua avaliação sobre os contratos mais curtos de negociação da commodity.
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De acordo com o analista, as negociações mostram que as empresas estão agressivamente tentando se livrar do sistema de benchmark vigente no setor há tantos anos. ?E como os preços do benchmark estão muito abaixo dos preços do mercado spot (à vista), as mineradoras estão ? com razão ? buscando esse upside?, afirma.
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?Apesar da maior volatilidade derivada desse novo sistema, acredito que as mudanças sejam positivas, já que vão refletir melhor as mudanças de mercado?, afirma o analista.
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Entre as principais novidades apontadas por ele estão a negociação mais frequente (trimestral ao invés de anual), além de uma possível alteração no sistema de preços de FOB (Free on Board, sistema no qual o vendedor deve vender seus produtos em um navio designado pelo comprador) para CIF (Cost, Insurance and Freight, em que o vendedor deve acertar o transporte dos produtos por via marítma até um porto, e oferecer os documentos necessários para que o comprador obtenha a mercadoria do transportador).
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O enigma chinês e a alta da oferta
As mudanças podem ser positivas, mas não são livres de riscos. A principal questão, de acordo com Chagas, é a dependência do mercado chinês, conhecido por sua volatilidade.
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?A China está comprando todo o minério de ferro que consegue, e as chances são de que o mercado ficará apertado por algum tempo, levando a uma alta dos preços em 2010 e 2011.
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Entretanto, estamos céticos de que os preços vão avançar homogeneamente para todos os clientes ? o que pode levar até mesmo à ausência de um acordo oficial este ano?, afirma.
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A entrada de novos players ? prevista para 2012 e 2013 ? deve aumentar a oferta, trazendo uma mudança de cenário para as mineradoras. ?Acreditamos que as empresas do setor estão tentando antecipar a maior quantidade de minério possível antes que a maré mude?, explica o analista.
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Além disso, a alta dos preços do minério de ferro levará as siderúrgicas a buscar novas matérias-primas ? tendência global, que deve se intensificar nos próximos anos.
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Recomendações
Na última semana, a equipe do BTG Pactual revisou suas estimativas para Vale e CSN (CSNA3), em meio a um cenário de demanda apertada em 2010 e 2011. No caso da Vale, o banco estimou um preço de US$ 91 por tonelada de minério de ferro, alta de 62% frente a 2009 ? menor do que a acordada entre a mineradora e clientes asiáticos na véspera. Com isso, o preço alvo dos papéis passou para R$ 60 (VALE3) e R$ 55 (VALE5), um upside de 4,43% e 11% sobre o fechamento desta terça-feira (30).
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?Acreditamos que as ações das mineradoras têm um bom momentum no curto prazo, mas esperamos que isso desapareça depois da confirmação dos preços?, afirma o analista.
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Os papéis da Vale tem recomendação ?neutra? devido a preocupações sobre volume e a ?fraca? tendência de preços vista no último trimestre. Chagas diz preferir exposição ao setor através da CSN, ?que deve se beneficiar da alta do aço e também do minério de ferro?. O preço-alvo dos papéis da CSN também foi elevado para R$ 40, um upside de 12% frente ao último fechamento.
Ainda no setor, a MMX (MMXM3) não teve seu preço-alvo alterado, já que o papel é mais sensível a mudanças nos preços no longo prazo. Com recomendação ?neutra?, o preço-alvo para os ativos é de R$ 14,63.
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Da mesma forma, os modelos de análise de Usiminas (USIM5) e Klabin (KLBN4) também passaram por uma revisão para refletir uma melhora nos preços do aço (caso da Usiminas) e da celulose (no caso da Klabin).
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Entretanto, enquanto as siderúrgicas recebem recomendações de compra – incluindo também a Gerdau (GGBR4) -, a visão dos analistas é mais negativa para as companhias de papel & celulose, que devem sofrer com a fraca geração de caixa (especialmente a Fibria (FIBR3)) e maior oferta.
Todos os preços-alvo descritos pelo banco de investimentos tem por período 12 meses.

InfoMoney


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