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BRICS: África do Sul luta por maior valor dos minérios antes de exportações

Notícias Gerais

13/04/2011


A África do Sul, o mais recente membro da ?família? do bloco de países BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia), vai aproveitar a sua primeira participação na cimeira do grupo para defender mais valor acrescentado nos minérios explorados no seu continente.
O crescimento na procura por recursos naturais, particularmente matérias-primas, ?commodities? na qual o subsolo do continente africano é fértil e cujos preços estão em alta, leva Pretória a colocar a beneficiação de minérios antes de serem exportados no topo da sua agenda, considerando ser este um tópico de importância para toda a África.
Numa recente palestra na Universidade de Joanesburgo (UJ), o ministro do Comércio e Indústria, Rob Davies, manifestou a firme intenção do seu governo em aproveitar o forte interesse dos investidores nos recursos mineiros, motivado pelos altos preços nos mercados internacionais dos recursos naturais, para ?estimular também um maior investimento na beneficiação dos minérios em todo o continente?.
Além de aderir em absoluto à agenda dos agora BRICS, que lidará com a flutuação dos preços das ?commodities? na sua reunião em 14 e 15 de abril na ilha de Hainan, na região sul da China, Pretória está na disposição de pressionar diplomaticamente o gigante chinês, que tem manifestado um apetite voraz pelas matérias-primas africanas em anos recentes, para investir no valor acrescentado nos minérios nos países onde adquire direitos de mineração.
Rob Davies confirmou que o seu executivo obteve já uma declaração de compromisso por parte de Pequim para ?beneficiar minérios na fonte?. O compromisso faz parte de acordo estratégico rubricado entre os presidentes Jacob Zuma e Hu Jintao, durante a visita de chefe de estado sul-africano à China em agosto de 2010, e está em linha com a política de crescimento económico conhecida por Nova Via de Crescimento (NGP no original) aprovada pelo executivo, revelou o ministro.
A África do Sul, onde a existência de parceiros governamentais que defendem a nacionalização dos recursos minerais e das empresas mineiras tem criado algum mal-estar entre os investidores, está já a estudar uma gama de soluções que acrescentem valor aos seus minérios.
O ministro para o Desenvolvimento Económico, Ebrahim Patel, revelou entretanto que o seu país está a tentar desenvolver aquilo a que chamou ?a primeira fábrica do mundo de processamento (ou beneficiação) de minérios como o titânio, zircónio, vanádio, magnésio e sílica.
Um especialista do Ministério do Comércio e Indústria deu como exemplo à Lusa: ?Se exportarmos minério de liga de titânio em forma de areia conseguimos um preço de 400 dólares por tonelada, mas se exportarmos a liga de titânio já processada conseguimos um preço de 100 mil dólares por tonelada?.
Do ponto de vista de visibilidade e peso político, a adesão, em finais do ano passado ao grupo BRIC, trará uma série de vantagens à África do Sul, país que, apesar de ter uma economia significativamente mais pequena do que o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, é de longe a maior economia africana e uma voz cada vez mais audível dos organismos internacionais, como o Conselho de Segurança, G-20 e Fórum Económico Mundial.

Agência Lusa


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