Brasileiras dominam mercado de fusões e aquisições
26/03/2008
Ao contrário de dez anos atrás, quando as operações de fusão e aquisição no Brasil eram dominadas por companhias internacionais, em 2007, as empresas brasileiras assumiram com ênfase o papel de compradoras. Pesquisa divulgada ontem pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), sobre as operações acima de R$ 20 milhões, mostra que do total de R$ 114,22 bilhões as empresas de capital nacional participaram com 20,4% nas aquisições e com 5,2% nas fusões. Um ano antes, essas participações eram de 8,6% e de 2,6%, respectivamente.
O volume de capital brasileiro utilizado em operações de compra e fusão somou R$ 41,522 bilhões em 2007, ante R$ 72,237 bilhões no ano anterior. O recuo, que à primeira vista pode parecer menor participação nacional nesse mercado, se deveu à compra, em 2006, de 75,6% da mineradora canadense Inco pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), diz o coordenador da subcomissão de fusões e aquisições da Anbid, François Legleye. As operações apenas entre empresas brasileiras apresentaram um crescimento de 146% em 2007 sobre 2006, com os negócios somando R$ 19 milhões.
O número total de fusões e aquisições em 2007 chegou a 135, um avanço de 104,5% ante 2006, que registrou 66 transações. Apenas as reestruturações societárias e as Ofertas Públicas de Aquisição (Opas) totalizaram 15 operações. Em 2006, foram 10.
Mais junções ?Segundo Legley, a expectativa é de que os negócios se ampliem neste ano, considerando-se que das várias empresas que lançaram ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2007 para se capitalizar ? 64 ao todo, com movimentação total de R$ 60 bilhões ? muitas aguardam uma oportunidade para se juntar ou adquirir empresas, nacionais ou estrangeiras.
Na avaliação do executivo, isso deverá acontecer especialmente entre as companhias de médio porte, que ampliaram sua participação na bolsa paulista, em 2007. Entre os setores que poderiam estar a caminho das fusões e aquisições está o de bens de consumo.
Nas transações entre empresas estrangeiras houve um avanço de 594,2% em termos de volume, que passou de R$ 4,5 bilhões em 2006 para R$ 31,813 bilhões no ano passado. Contribuiu para o salto a compra do Banco Real, de origem holandesa, pelo espanhol Santander, uma operação de R$ 30,5 bilhões. O que garantiu, em 2007, ao setor financeiro o maior volume transacionado (31,5% do total), seguido pelo de metalurgia e siderurgia.
Diário do Comércio – SP