Brasil se lança ao mar para explorar recursos minerais
30/08/2010
Entre o Brasil e a África existe mais do que um oceano. Há potássio, ouro e diamante, entre outros minerais valiosos que exigem empenho tecnológico e conhecimento técnico para saber aproveitá-los.
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As riquezas submarinas da costa brasileira recebem, agora, os holofotes do cenário internacional após a descoberta do pré-sal, onde a Petrobras se prepara para extrair petróleo a uma profundidade de até 7 mil metros.
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“A consciência de que temos muitos recursos minerais no mar ganhou bastante visibilidade com o pré-sal. Está mais do que na hora de o Brasil dar ênfase a essa questão estratégica que é conhecer melhor a plataforma continental e a área internacional marítima”, observa Thales de Queiroz Sampaio, da Secretaria de Geologia e Mineração do Ministério de Minas e Energia (MME).
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Sampaio coordena o Programa de Avaliação da Potencialidade Mineral da Plataforma Continental (Remplac), que reserva R$ 150 milhões para aproximar Estado e universidades em torno do tema mineração submarina.
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“Vamos investir muito mais dinheiro nos próximos 20 anos do que podemos imaginar hoje”, indica.
O aporte será para identificar a viabilidade econômica e traçar as linhas dos desafios técnicos de exploração, por exemplo, areia e cascalho para a indústria de construção civil ? recursos encontrados em larga escala a uma profundidade média de 30 metros entre o Espírito Santo e o Maranhão.
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Já outros minerais mais valiosos como o diamante existente na costa baiana demandarão expertise tecnológica mais apurada, visto que estão a um quilômetro sob o nível do mar ? área dominada pela Petrobras que pode ceder tecnologia.
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O mesmo vale para o zircônio encontrado no litoral sul da Bahia – insumo caro e bastante empregado no revestimento de reatores nucleares.
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A ilmenita usada na construção de partes de aviões e naves espaciais também recebe atenção. Assim como, o calcário usado pelo setor químico e farmacêutico.
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Além do potássio que fabricantes de fertilizantes precisam importar para atender a demanda crescente de um país voltado para o agronegócio.
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Os recursos estão em uma região com 4,5 milhões km², distribuída ao longo de 370 km da costa mar adentro ? a chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE), ou Amazônia Azul.
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Parte do potencial submarino já foi mapeado pela Marinha, que equipou um navio para a missão com repasse de R$ 10 milhões cedidos pela Finep.
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A embarcação recebeu um multifeixe, aparelho que faz o mapeamento do solo marinho (batimetria), identificando o que há no fundo do mar.
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“Existem recursos em solo marinhos além das 200 milhas náuticas (370 quilômetros da costa e estamos desenvolvendo atividades para essa área”, adianta Carlos Roberto Leire, da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm) – órgão encabeçado pelo MME e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que conta com a participação de 18 universidades federais e estais.
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Instituto do mar
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A Universidade Estadual Paulista (Unesp) é uma das parceiras que se prepara para começar as obras de um centro de pesquisa voltada para o oceano, o Núcleo de Estudos Avançados do Mar, em São Vicente (SP).
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O local será formado prédio e galpões nos quais pesquisadores em nível de mestrado e doutorado deverão produzir conteúdo, entre outros temas, sobre geologia marinha.
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“O objetivo é ter uma forte formação de recursos humanos para difusão de conhecimento técnico”, diz a pró-reitora de pesquisa, Maria José Giannini.
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O instituto terá parcerias com empresas para aproveitar profissionais e pesquisas. “Queremos uma forte interlocução com a iniciativa privada.” O centro recebe R$ 25 milhões do MCT para equipamentos. Outro aporte de até R$ 7 milhões será aplicado até 2012 pela Unesp na construção do complexo de 10 mil m².
Brasil Economico