Brasil e Suécia buscam eficiência
28/10/2016
Inovar ou morrer, não há outro caminho para que o setor de mineração, em todo o mundo, torne-se competitivo, sustentável e eficiente do ponto de vista econômico. A frase é do vice-ministro para assuntos da União Europeia, promoção da Suécia, comércio e investimento, Oscar Stenström, que esteve no Brasil na terceira semana de outubro, para cumprir compromissos e uma agenda diplomática com o Embaixador da Suécia no Brasil, Per-Arne Hjelmborn. Os dois participaram de uma solenidade em Brasília, em 18 de outubro, quando assinaram, com o governo brasileiro, um memorando de entendimento para cooperação e exploração mineira sustentável. O objetivo do acordo é estreitar os contatos entre os dois países, reforçando a cooperação no setor de mineração e, em linha com as metas da Agenda 2030. Os países devem estabelecer uma cooperação em prol do desenvolvimento sustentável da atividade mineira e extrativista, com eficiência e segurança, priorizando a preservação do meio ambiente, as relações sociais e seus avanços. Entre as áreas designadas prioritárias, pelo memorando, está a melhoria da inovação e a eficiência logística, considerando projetos de automação; aumento da segurança; criação e manutenção de programas de sustentabilidade que incluem o fechamento de antigas minas, com estímulo ao consumo eficiente de energia e água para redução de impactos ambientais; e o estímulo ao uso da ciência, tecnologia e inovação (CT&I). No âmbito da pesquisa, o documento expressa um compromisso entre as partes para estreitar a comunicação entre governo, academia, entidades civis e setor privado. A meta é estimular o intercâmbio de experiências e informações sobre políticas públicas, regulação, desenvolvimento tecnológico e transferência de tecnologia. Com uma ampla produção acadêmica na área de mineração, a Suécia tornouse o principal produtor de minério de ferro da Europa. Nas últimas seis décadas, o governo sueco vem promovendo incentivos à inovação e ao estabelecimento de parcerias entre indústrias e universidades. O resultado foi um aumento de produtividade. O país tem hoje cinco minas ativas, com uma produção de 70 milhões de toneladas ao ano ¬ em 1960, eram 60 minas, com um total anual de 28 milhões de toneladas. “Para que a indústria de mineração tenha condições de competir globalmente é preciso ser cada vez mais sustentável e eficiente, do ponto de vista dos custos. Esse patamar de eficiência e sustentabilidade só é alcançado se houver investimento em pesquisa. Estou muito confiante no sucesso dessa parceria com o governo brasileiro”, diz Stenström, que também participou da 5ª Semana de Inovação Suécia Brasil, evento sediado por dez cidades brasileiras.Tendo como tema a experiência sueca de desenvolvimento inovador e sustentável, painel organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), no Rio de Janeiro, mostrou como a indústria sueca de mineração está investindo em tecnologias como redes wi¬fi, telecomunicações, computação cognitiva e automação para reduzir custos, garantir sustentabilidade aos projetos e aumentar a eficiência econômica. De acordo com o engenheiro Laercio da Costa Barbosa, um dos pesquisadores da Scania que participou do painel, apesar de o setor de mineração brasileiro ser conservador, já é possível perceber um movimento em busca de projetos de automação. Segundo ele, há projetos de automação em estado avançado na Europa, onde a discussão já evoluiu para o estabelecimento de padrões. “Não teremos, da noite para o dia, um conjunto de normas que permita que toda a indústria converse: isso tem um processo de maturação. Os projetos de automação em minas estão no início, teremos, pelo menos, cinco anos para que se tornem economicamente viáveis, mas percebo que, no Brasil, as mineradoras estão dispostas a dar um passo adiante no universo da automação”, afirma.
Valor Econômico