Brasil disputa com China mercado de mineração afri
08/07/2010
Em visita a Tânzania, Lula criticou a forma como os chineses investem em outro países
;A intenção de disputar de forma mais acirrada novos mercados com a China está dando o tom da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a países da África. Intenção que ficou ainda mais explícita no discurso que o presidente fez a empresários brasileiros e tanzanianos nesta quarta-feira (7), em Dar es Salaam, capital da Tanzânia.
;
Em vários momentos, Lula referiu-se à China e procurou vender a imagem de que o Brasil, ao contrário do gigante asiático, tem produtos de melhor qualidade e gera empregos nos países onde investe. Lula citou a disputa por minas de ferro que a mineradora Vale do Rio Doce acabou perdendo para os chineses.
;
– Nada contra os meus amigos chineses. Pelo contrário, [a China] é um grande parceiro nosso e queremos manter nossa parceria estratégica. Mas a verdade é que, as vezes, eles ganham uma mina e trazem todos os chineses para trabalhar naquela mina. E fica sem gerar oportunidade de trabalho para os trabalhadores do país.
;
De olho nos recursos naturais da África, o presidente procurou avalizar os interesses da Vale na Tanzânia e aproveitou para criticar a forma chinesa de exploração.
;
– É importante que se todos se dêem conta que a Vale tem que vir aqui, fazer investimentos, gerar emprego aqui e contratar trabalhadores da Tanzânia para trabalhar nos projetos, e não trazer trabalhadores do Brasil, como alguns [países] fazem, que não é boa política.
;
Em 2004, a Vale perdeu para os chineses a disputa para a exploração de uma mina de ferro no Gabão. Nos próximos meses, a empresa pretende disputar duas licitações para explorar na Tanzânia minas de carvão, fosfato (matéria prima para fertilizantes), cobre, níquel e potássio.
;
De acordo com o presidente da Vale, Roger Agnelli, o investimento que a empresa pretende fazer na Tanzânia chega a R$ 3,54 bilhões (US$ 2 bilhões), valor semelhante ao já investido pela empresa em Moatize (Moçambique) para exploração de carvão metalúrgico. A mineradora também mantém projetos em Zâmbia, no Congo, em Angola, na Guiné, na África do Sul e ainda tem interesse em recuperar posições na exploração de minas no Gabão.;
Lula é o primeiro presidente brasileiro a visitar a Tanzânia. As trocas comerciais com o país do oeste da África somaram no ano passado apenas R$ 54,87 bilhões (US$ 31 milhões).
;
Para Lula, essa cifra modesta pode se expandir muito com o ambiente de estabilidade política e segurança jurídica que o país oferece atualmente. Além disso, são convidativas as taxas de crescimento apresentadas pela Tanzânia. Para este ano, a estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país) é de 5%.
;
Outro ponto positivo destacado pelo presidente foi a posição geográfica estratégica da Tanzânia, na costa do Oceano Índico. Um acesso privilegiado para mercados asiáticos que, de acordo com Lula, deve ser levado em consideração pelos empresários brasileiros.
;
– É uma posição que nos coloca perto de mercados extremamente interessantes. Nos coloca perto de mercados não só dentro da própria África. Quando se abre a porta aqui, a gente vê um porto muito grande, que atende a vários países. A China e a Índia não estão tão longe como estão do Brasil. Sem deixar de fazer os investimentos no Brasil, vocês [empresários brasileiros] podem produzir aqui na Tanzânia para aproveitar não apenas o mercado africano, mas para aproveitar o mercado chinês e uma parte do mercado asiático.
;
Expresso MT