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Brasil avança na tecnologia nuclear

Notícias Gerais

23/11/2009


De São PauloO Brasil terá domínio completo do ciclo do combustível nuclear em dezembro de 2010, quando entrará em funcionamento pleno a Usexa, a usina de produção de gás de urânio, no Centro Experimental Aramar, a sede do Programa Nuclear da Marinha, em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo. Os testes começam um pouco antes, em maio. A fábrica, um pavilhão ocupado por quilômetros de tubos, válvulas e uma rede de controle digital, está recebendo o ajuste final para iniciar o ciclo de 150 dias de ensaios que antecede a produção regular. Esse não é o único segredo guardado na área de 90 mil metros quadrados, garantida por fuzileiros navais, sensores eletrônicos e rígidas normas de segurança. Depois que voltou a receber investimentos, há pouco mais de dois anos, Aramar acelerou o ritmo das obras civis e das investigações científicas. Em meio a vestígios da Mata Atlântica e da densa vegetação de cerrado, há prédios de 30 metros de altura em construção, lastreados sobre a rocha pura: ali vai funcionar em 2014 um reator de 48MW avaliado em US$ 130 milhões. Está parcialmente pronto e estocado. Vai servir ao submarino atômico que a Marinha está produzindo em parceria com os estaleiros DCNS, da França. De determinados pontos que só podem ser frequentados pelos técnicos diretamente ligados às atividades do Centro Experimental, estão saindo duas novas gerações de ultracentrífugas, 15% e 30% mais eficientes no delicado trabalho de enriquecer o urânio de forma a que possa produzir energia. As facilidades atendem à demanda atual das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), mas terão de ser expandidas até o ponto de se transformarem em uma indústria para suprir as exigências das oito novas centrais elétricas planejadas para o setor. O segredo em torno da engenharia e da tecnologia das ultracentrífugas é extremo. A fábrica, prevista para crescer por 40 anos, ficará em Iperó.?Tudo isso significa que 25% dos objetivos pretendidos para 2014, nosso ano chave, estão resolvidos?, explica o comandante André Ferreira Marques, coordenador de Propulsão Nuclear. A usina de gás é a quarta do mundo. Tem capacidade para fornecer 40 toneladas por ano, volume necessário ao suprimento da Força, empenhada no desenvolvimento próprio do sistema de propulsão dos futuros submarinos. O primeiro navio entra na água em 2020.É o único segmento do processo que o País ainda compra no exterior, embora domine todo o conhecimento. A Usexa custou R$ 40 milhões. Do total, R$ 23,6 milhões saíram da Financiadora de Projetos e Pesquisas.Em 13 de dezembro de 2005, em escala de laboratório, foi obtida a primeira amostra de conversão do yellow cake ? estágio básico do beneficiamento do minério – em hexafluoreto, a forma gasosa que é utilizada no enriquecimento do urânio.Atualmente, o material, livre de impurezas, é enviado para o Canadá em tambores de 400 quilos para ser modificado na agência Cameco. Depois, volta para o Brasil.Ritmo aceleradoNo canteiro de Aramar trabalham 1.100 técnicos sob contrato. A maior obra é um complexo de sete prédios e 6 mil metros quadrados. Fica pronto em 2014. O edifício principal tem 30,5 metros de altura. Ali vai funcionar o LabGene, Laboratório de Geração Nucleoelétrica. No vão livre do pavilhão de ensaios será instalado o reator PWR, de água pressurizada, capaz de gerar 48 MW. Os componentes, antes mantidos em ambientes controlados, começam a ser reunidos. Semana passada, partes dos grandes vasos de aço especial dividiam um armazém com dois geradores de vapor, peças sofisticadas ?que exigiram vinte anos de investimento científico?, diz Marques. As máquinas vão movimentar o submarino de 6 mil toneladas e 100 metros.O Programa Nuclear ficou paralisado durante dez anos. Voltou a ser prioridade do governo há dois anos. Em julho de 2007, recebeu R$ 55 milhões, empregados na manutenção e nos salários. (Da Agência Estado)Marinha aplica R$ 400 milhões no programaO Comando da Marinha está investindo pouco mais de R$ 400 milhões em Aramar. O reforço orçamentário garantido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2007, é de R$ 130 milhões por ano ? com promessa de que será mantido em caráter especial até 2016, totalizando R$ 1,04 bilhão. O Centro Tecnológico da Marinha entrega em dezembro para a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) o segundo e mais avançado conjunto de ultracentrífugas de tecnologia própria para enriquecimento de urânio. São máquinas da geração 1/M2, 15% mais eficiente que a série anterior. Aperfeiçoado, o tipo mais antigo é 50% melhor que a linha de 1989. Em 2010 será comissionado um terceiro bloco, de unidades com rendimento 30% maior em relação ao de 2009. Ao mesmo tempo, começa a montagem do quarto conjunto. Todos são destinados à Fábrica de Combustível de Resende, no Rio. Nos 22 anos de Aramar, as condições ambientais da região não sofreram qualquer alteração significativa, garante o químico Marcelo Sartoratto. (AE)

Correio Popular – SP


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