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14/07/2008


Até 2014, o Brasil espera pertencer ao restrito grupo de países que dominam o ciclo completo de enriquecimento do urânio. O produto é utilizado como combustível em usinas nucleares e na fabricação de armas atômicas. Outro objetivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) é retomar, ainda este ano, as obras da usina Angra 3, que deve entrar em operação entre 2012 e 2013, além de projetar a construção de quatro a oito novas centrais nucleares no país.

Atualmente, o Brasil realiza a lavra do urânio, extraído da reserva de Caetité (BA), e o transforma em yellow cake, um concentrado do minério. Em seguida, o produto é transportado ao Canadá, onde é gaseificado, e depois segue para as unidades da européia Urenco, uma das maiores companhias especializadas em enriquecimento de urânio no mundo. Só então o material é destinado ao reator da usina de Angra 1. A cada ano é necessária a troca de um terço do material utilizado nos reatores. O projeto pretende acabar com essa dependência.

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB), estatal subordinada ao MCT, investirá R$ 800 milhões nos próximos seis anos na infra-estrutura adequada para realizar a gaseificação e o enriquecimento do minério de urânio. A primeira refere-se à conversão do yellow cake em um gás, o hexafluoreto de urânio. O orçamento preliminar para a implantação desta etapa é de R$ 250 milhões.

Já a fase de enriquecimento, na unidade piloto da Fábrica de Combustível Nuclear, em Resende (RJ), exigirá investimento de R$ 550 milhões. O processo consiste em aumentar a concentração do urânio natural para permitir sua utilização como combustível para gerar energia elétrica. A expectativa é dominar essas etapas e atender à demanda de três usinas nucleares até 2014.

Segundo o assessor da presidência da INB, Luiz Filipe Silva, as estimativas são de que o Brasil poderá reduzir em um terço o custo atual do ciclo de produção de urânio enriquecido.

– Já detemos tecnologia para a realização desta etapa, mas não em escala comercial – explicou.

Pelo cronograma, a unidade de enriquecimento deve estar concluída entre 2011 e 2012. Já a gaseificação tem data estimada de operação para até 2014, com capacidade de processar de mil a 2 mil toneladas/ano. O excedente poderia ser exportado.

Em dezembro de 2006, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a energia nuclear representava 1,92% da matriz energética brasileira.


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