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BlackRock: CSN deveria desistir de comprar Cimpor

Notícias Gerais

26/01/2010


A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deveria abandonar os planos de compra da Cimpor, uma vez que as economias de Portugal e Espanha estão a reduzir o consumo de cimento, considera a gestora de activos BlackRock.A CSN tem de se focar na produção de minério de ferro e aço para atender à maior procura da China, afirmou à Bloomberg um gestor da BlackRock, William Landers. ?Preferiríamos que a CSN não procedesse a esta diversificação. Não acarinhamos a ideia de a CSN aumentar a sua exposição à Europa. A empresa deveria concentrar-se nos mercados emergentes e nos seus negócios centrais do minério de ferro e do aço?, acrescentou o mesmo responsável.Por outro lado, Francisco Schumacher, analista da Raymond James, comentou à Bloomberg que se a CSN elevar o preço da sua oferta, os accionistas poderão vender acções da empresa. ?A CSN não teria significativas poupanças de custos com esta operação?, acrescentou.Gilberto Cardoso, analista do Banif Securities, salienta por seu turno que as margens de lucro no sector do cimento são mais baixas do que as do minério de ferro. ?Comprar a Cimpor pode colocar toda a estrutura financeira da CSN sob pressão, dificultando a execução do planeado investimento em minério de ferro?, defendeu o analista em declarações à Bloomberg. ?Há grandes receios de que a CSN possa ficar sobre-endividada ao diversificar-se para uma nova área, com mais presença internacional?, concluiu.Quem cobiça a Cimpor?Recorde-se que a brasileira CSN lançou a 18 de Dezembro uma OPA sobre a Cimpor no valor de 3,86 mil milhões de euros (5,75 euros por acção). A cimenteira liderada por Bayão Horta rejeitou a 8 de Janeiro esta oferta de compra, por a considerar ?significativamente? subavaliada, e a brasileira Camargo Corrêa fez uma proposta alternativa cinco dias depois, visando uma parceria com a Cimpor. No entanto, a CMVM disse que a cimenteira teria de lançar uma OPA concorrente à da CSN ou então abandonar a proposta.A Votorantim, por seu lado, afastou oficialmente a intenção de lançar uma oferta de compra sobre a cimenteira portuguesa.Entretanto, o ?ionline? refere que Pedro Queiroz Pereira, maior accionista da Semapa, está a seguir muito de perto os desenvolvimentos da Cimpor, se bem que não haja um plano para participar no processo. No entanto, aquele responsável não descarta a hipótese de uma futura intervenção. Mas segundo os analistas do BPI, esta notícia tem um impacto neutral sobre a empresa liderada por Bayão Horta. ?Na nossa opinião, um cenário envolvendo a Semapa ou a sua subsidiária Secil é pura especulação nesta altura?, refere o BPI na sua última nota de ?research?.Desde o dia da OPA da Companhia Siderúrgica Nacional, lançada a 18 de Dezembro passado, a Cimpor já esteve a negociar num máximo de 6,55 euros, na sessão de 28 de Dezembro, o que representava mais 14,5% do que o preço proposto pela brasileira. A cimenteira portuguesa valorizou bastante no ano passado, depois de ter estado a negociar nos 3 euros em finais de Fevereiro.Na sessão de hoje, a empresa liderada por Bayão Horta segue a descer 0,49% para 6,07 euros. Uma descida de 7,3% face aos 6,55 euros que valia em finais de Dezembro.

Jornal de Negócios – Portugal


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